A cidade de Belém, na Cisjordânia, reverenciada globalmente como o local de nascimento de Jesus Cristo, acendeu novamente sua monumental árvore de Natal após um hiato de dois anos. Marcando a retomada das celebrações públicas, a cerimônia ocorreu no sábado, dia 6, simbolizando um raro momento de alívio e esperança para a região. Milhares de palestinos, vindos de diversas partes da Cisjordânia e de Israel, convergiram para a Praça da Manjedoura para testemunhar a iluminação da árvore de 20 metros, adornada com enfeites vermelhos e dourados. O evento representa um sinal de resiliência e busca por normalidade em meio a um cenário de profunda dor e incerteza, especialmente após os recentes conflitos na Faixa de Gaza.
A retomada da tradição natalina em Belém
A iluminação da gigantesca árvore de Natal em Belém é um evento de grande significado, especialmente após a suspensão das festividades públicas nos últimos dois anos. Essa pausa foi uma forma de solidariedade com os palestinos de Gaza, que enfrentam um conflito devastador. A Praça da Manjedoura, palco central da celebração, ecoou com aplausos e emoção quando as luzes foram acesas pouco antes das 20h, reacendendo a chama da esperança em corações aflitos.
A simbologia da árvore e a união comunitária
Para muitos presentes, a árvore de Natal é mais do que um ornamento; é um símbolo potente de vida, persistência e fé. A sua presença na Praça da Manjedoura, um local de profunda importância religiosa e histórica, evoca um sentimento de união e a reafirmação de uma identidade cultural e religiosa que resiste às adversidades. Testemunhos de visitantes, como Randa Bsoul, uma palestina de 67 anos de Haifa, Israel, destacam o anseio por esses momentos de alegria. “Viemos para celebrar, assistir e aproveitar, porque há vários anos não tínhamos essa oportunidade”, expressou Bsoul, ressaltando o valor da festividade após um período tão difícil. A cerimônia, que atraiu uma multidão diversa, reforçou os laços comunitários e ofereceu um breve respiro das tensões diárias, promovendo um senso de pertencimento e esperança em dias melhores.
O impacto da guerra em Gaza na vida da Cisjordânia
A decisão de Belém de retomar as celebrações natalinas ocorre em um contexto complexo e doloroso, marcado pelos efeitos da guerra em Gaza. O conflito, que eclodiu em outubro de 2023 após um ataque surpresa do grupo Hamas contra Israel, resultou em uma resposta israelense que devastou a Faixa de Gaza. O número de mortos relatado na região, lar de aproximadamente 2 milhões de palestinos, ultrapassou 70 mil pessoas em um mês, refletindo uma crise humanitária de proporções alarmantes. Embora Gaza esteja a cerca de 60 quilômetros de Belém, a guerra teve um impacto profundo e doloroso nos palestinos da Cisjordânia ocupada.
Consequências econômicas e restrições na Cisjordânia
A economia de Belém, fortemente dependente do turismo, foi severamente atingida pela ausência de visitantes e peregrinos durante o período de conflito. Comerciantes de lembrancinhas e prestadores de serviços turísticos relatam um declínio drástico nas suas atividades, descrevendo os últimos dois anos como “um verdadeiro inferno”. Um lojista, que preferiu não se identificar por receio de represálias, destacou a situação econômica cada vez pior e o endurecimento das restrições israelenses à circulação de palestinos na Cisjordânia. Nos últimos dois anos, a presença militar israelense se intensificou, com a construção de novos postos de controle militar em todo o território. Algumas comunidades palestinas foram efetivamente isoladas por portões e bloqueios de estradas, dificultando a vida cotidiana e o acesso a recursos. Além disso, milhares de palestinos foram forçados a deixar suas casas devido a ataques das forças israelenses em cidades do norte da Cisjordânia desde o início do ano. Esta realidade de restrições e deslocamentos forçados adiciona camadas de sofrimento e incerteza à população local, tornando o gesto de acender a árvore de Natal ainda mais significativo como um ato de resistência e esperança.
O frágil cessar-fogo e a busca por esperança
O retorno das festividades natalinas em Belém acontece sob a sombra de um cessar-fogo em Gaza, que, embora formalmente estabelecido em outubro como parte de um plano mediado pelos EUA, permanece frágil e sujeito a contestações. Israel e o Hamas têm se acusado mutuamente de repetidas violações, com Israel realizando ataques aéreos sob a justificativa de repelir agressões ou destruir infraestrutura militante. Essa instabilidade contínua mantém a região em um estado de alerta e ansiedade.
Apesar da celebração em Belém, a dor e a angústia sofridas em Gaza são uma realidade presente nos corações dos palestinos da Cisjordânia. O prefeito de Belém, Maher Canawati, expressou essa dualidade de sentimentos: “Enquanto Belém acende suas luzes de Natal, a profunda angústia sofrida pelo nosso povo em Gaza não abandona nossos corações. A ferida de Gaza é a nossa ferida, o povo de Gaza é o nosso povo, e a luz do Natal não tem significado a menos que primeiro toque os corações dos aflitos e oprimidos em toda a Palestina.” Suas palavras sublinham que a celebração em Belém é um ato de esperança, mas não uma negação da realidade do sofrimento alheio. A esperança de que o Natal e o Ano Novo tragam paz após dois anos de agonia e dor é um sentimento coletivo. Diana Babush, uma palestina de Belém, resumiu esse anseio: “Estamos em busca de esperança. Esperamos que, a partir deste momento, a paz prevaleça. Esperamos que possamos ter paz e prosperidade.” Em um aceno solene à incerteza do futuro, e em contraste com anos anteriores, não houve fogos de artifício após a iluminação da árvore de Natal, um lembrete sutil da gravidade da situação.
Conclusão
A iluminação da árvore de Natal em Belém marca um momento de profunda relevância, simbolizando a resiliência e a esperança de um povo diante de adversidades prolongadas. Após dois anos de suspensão das celebrações públicas em solidariedade a Gaza, a retomada deste evento tradicional na Praça da Manjedoura reflete um desejo ardente por paz e normalidade, mesmo em um cenário de cessar-fogo frágil e contínuas tensões. A cerimônia, que reuniu milhares de palestinos, não apenas reacendeu as luzes da festividade, mas também a chama da fé e da união comunitária. Embora a alegria da celebração seja palpável, ela é tingida pela memória da dor em Gaza, reforçando a mensagem de que a verdadeira paz só será alcançada quando o sofrimento de todos os palestinos for aliviado. O evento serve como um lembrete poderoso da busca incessante por um futuro de prosperidade e tranquilidade na Terra Santa, onde a esperança continua a brilhar, mesmo nos momentos mais sombrios.
Perguntas frequentes
Por que Belém não acendeu sua árvore de Natal nos últimos dois anos?
As celebrações públicas de Natal em Belém foram suspensas nos últimos dois anos em solidariedade aos palestinos da Faixa de Gaza, que enfrentam um conflito devastador e uma profunda crise humanitária. A suspensão foi um gesto de luto e protesto contra a violência na região.
Qual o impacto da guerra em Gaza na economia de Belém?
A economia de Belém, fortemente dependente do turismo religioso, sofreu um impacto severo. A ausência de visitantes e peregrinos durante o período de conflito resultou em prejuízos significativos para comerciantes, hotéis e demais serviços turísticos, levando a uma situação econômica precária para muitos moradores.
O cessar-fogo em Gaza é totalmente respeitado?
Não, o cessar-fogo em Gaza, embora formalmente acordado, é considerado frágil e tem sido alvo de repetidas acusações de violação por ambas as partes, Israel e Hamas. Ataques aéreos e confrontos esporádicos continuam a ocorrer, mantendo a região em estado de tensão.
Qual a mensagem das autoridades de Belém sobre a celebração da árvore de Natal?
As autoridades de Belém expressaram uma mensagem de esperança e resiliência, mas também de profunda empatia pela dor em Gaza. Elas enfatizaram que, embora as luzes de Natal acendam, a ferida de Gaza permanece viva nos corações, e a celebração só terá pleno significado quando a paz e a justiça prevalecerem em toda a Palestina.
Para aprofundar seu conhecimento sobre os desenvolvimentos na região e as iniciativas de paz, acompanhe as notícias mais recentes e mantenha-se informado sobre os esforços para a construção de um futuro mais pacífico.
Fonte: https://folhagospel.com