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Reino Unido: Professor Demitido Após Afirmar que País é Cristão Desencadeia Batalha

Sala de aula com Bíblia sobre uma bancada (Foto: IA do Canva Pro)

LONDRES, Reino Unido – Um professor do ensino fundamental britânico, que preferiu manter sua identidade em sigilo, está em meio a uma batalha legal após ser demitido por supostamente dizer a um aluno muçulmano que “a Grã-Bretanha ainda é um estado cristão”. O incidente ocorreu após o educador repreender estudantes por utilizarem as pias dos banheiros para rituais de lavagem de pés, prática conhecida como Wudu. Suspenso em março de 2023 e demitido em fevereiro de 2024, o caso, embora com uma investigação policial por suposto crime de ódio arquivada, agora é alvo de uma ação judicial e conta com o apoio da União pela Liberdade de Expressão (FSU).

A controvérsia teve início quando o professor observou alunos realizando abluções islâmicas – uma purificação ritualística necessária antes das orações – nas pias do banheiro masculino. Em sua defesa, relatada pelo jornal The Telegraph, ele justificou sua intervenção mencionando o papel do monarca britânico como chefe da Igreja da Inglaterra e o status minoritário do Islã no país. Três alunos envolvidos alegaram que o professor os repreendeu em tom elevado, causando-lhes angústia.

A escola, descrita como não religiosa, tomou medidas disciplinares que resultaram na suspensão do professor e, posteriormente, em sua demissão. Uma responsável pela proteção à criança, ao avaliar o caso, concluiu que os comentários do educador sobre o Islã eram ofensivos e que ele representava um risco para o trabalho com crianças. No entanto, o professor contestou com sucesso a proibição inicial de exercer a docência e agora move uma ação judicial contra a autoridade local.

Seus advogados argumentam que, embora a escola fosse secular, a existência de uma sala de oração designada implicava que orações e rituais informais, como a lavagem de pés em pias inadequadas, deveriam ser restritos a espaços específicos, e não aos banheiros.

O caso ganhou destaque com o apoio da União pela Liberdade de Expressão (FSU), uma organização dedicada à defesa da livre manifestação de ideias. Lord Toby Young, diretor da FSU, expressou ao The Telegraph sua profunda preocupação com a situação. “As coisas chegaram a um ponto crítico neste país se um professor pode ser considerado um risco para a segurança de crianças simplesmente por dizer algo que é inegavelmente verdade”, afirmou Young. Ele ainda apontou um contraste provocativo: “Se ele tivesse afirmado que o Islã é a religião oficial da Inglaterra, mesmo que isso não seja verdade, duvido que ele teria se metido em problemas”, criticando o que ele percebe como um desequilíbrio na abordagem de temas religiosos em instituições públicas.

Contexto Religioso e Demográfico do Reino Unido

Para compreender a complexidade do debate, é fundamental contextualizar a paisagem religiosa do Reino Unido. Historicamente, o país possui uma Igreja estabelecida, a Igreja da Inglaterra, da qual o monarca britânico é o Chefe Supremo, mantendo laços constitucionais e cerimoniais com o Estado.

No entanto, o Reino Unido é uma nação notavelmente diversa em termos religiosos. Dados do Censo de 2021 revelaram uma transformação significativa no panorama da fé:
A proporção de pessoas que se identificam como cristãs diminuiu de 59,3% em 2011 para 46,2%.
Simultaneamente, o número de pessoas que se declaram sem religião aumentou de 25,2% para 37,2%.
Outras religiões, incluindo o Islã, registraram crescimento, passando de 4,9% para 6,5% da população.

Esse cenário demográfico sublinha a crescente complexidade das interações multiculturais e multirreligiosas em todas as esferas da sociedade britânica, incluindo o ambiente educacional. A disputa judicial atual serve como um catalisador para um debate mais amplo sobre os limites da liberdade de expressão, a sensibilidade cultural e religiosa, e as políticas de inclusão em um país cada vez mais plural.

Fonte: https://portalimpactogospel.com.br

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