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China Intensifica Repressão a Cristãos com prisões em massa na Província de Zhejiang Mais

Cristãos orando durante culto em igreja na China. (Foto: Reprodução/CBN News)

A Operação em Yayang e a Detenção de Líderes Religiosos

Detalhes da Incursão e as Acusações Formalizadas

A operação em Yayang, na província costeira de Zhejiang, foi caracterizada por sua amplitude e precisão militar. Mais de mil policiais, acompanhados por equipes táticas da SWAT e unidades paramilitares, foram mobilizados para cercar e invadir pelo menos doze igrejas cristãs. Testemunhas descrevem um cenário de cerco, com ruas isoladas e a entrada de fiéis impedida, enquanto agentes confiscavam pertences pessoais. A presença ostensiva das forças de segurança perdurou por cinco dias, criando um clima de temor e incerteza na comunidade local. Centenas de pessoas foram inicialmente detidas nos primeiros dias da incursão, com relatos de prisões adicionais ocorrendo nos dias subsequentes, somando pelo menos quatro novos detidos até meados de dezembro.

No centro desta repressão, dois nomes surgiram como alvos principais: Lin Enzhao, de 58 anos, e Lin Enci, de 54 anos. Ambos foram descritos como figuras proeminentes nas comunidades de fé locais e apareceram em listas de procurados, designados como líderes de uma “organização criminosa”. As acusações formais contra eles, e provavelmente contra outros detidos, recaem sobre “incitar brigas e tumultos”, uma formulação que observadores internacionais frequentemente associam a casos de motivação política na China. Embora recompensas tenham sido oferecidas por informações que levassem à sua captura, nenhuma evidência concreta ou detalhe sobre suas supostas atividades criminosas foi divulgada publicamente pelas autoridades. Membros da igreja, por sua vez, refutam veementemente a classificação de “ligados a gangues”, enxergando os líderes como defensores legítimos do espaço religioso.

O Cenário de Repressão e a Estratégia de Desinformação

Conflitos Históricos e a Tentativa de Desviar Atenção

A repressão em Yayang não se limitou apenas às prisões. Moradores locais relataram uma intensa campanha de censura e desinformação subsequente à operação. Informações sobre as batidas policiais foram rapidamente removidas de plataformas online, e a comunicação entre os afetados foi severamente restrita. Em uma aparente tentativa de desviar a atenção pública dos eventos, um espetáculo de fogos de artifício, cujo custo superou um milhão de yuans (aproximadamente 142.000 dólares americanos), foi realizado na praça da cidade na noite de 15 de dezembro. Apesar de não haver nenhuma celebração oficial programada, contas ligadas ao governo divulgaram vídeos do evento, acompanhados de slogans como “Ouçam o Partido, sigam o Partido”, descrevendo os fogos como uma celebração pública de uma campanha de combate ao crime. Comentários de usuários que se identificavam como moradores e tentavam associar os fogos de artifício às batidas policiais foram prontamente apagados, reforçando a percepção de uma orquestrada tentativa de manipulação da narrativa.

Os líderes Lin Enzhao e Lin Enci, juntamente com outros membros da comunidade, já possuíam um histórico de resistência às políticas governamentais que buscam controlar as expressões de fé. Eles haviam se oposto anteriormente à remoção forçada de cruzes de edifícios religiosos, uma campanha que se intensificou em Zhejiang desde 2014. A resistência à instalação obrigatória de bandeiras nacionais dentro das igrejas também foi uma fonte significativa de tensão. Um incidente notório em junho teria envolvido o próprio prefeito de Yayang liderando um grupo que desmantelou portões e muros de uma igreja para hastear a bandeira chinesa, o que foi considerado pelos fiéis como uma invasão do espaço sagrado e uma violação de seus direitos. A política nacional “Cinco Entradas e Cinco Transformações” exige que instituições religiosas exibam a Constituição, leis nacionais e slogans partidários, além de adaptar suas práticas religiosas às diretrizes políticas, o que tem gerado constantes confrontos. Em 2017, por exemplo, ocorreram embates após a recusa de fiéis em permitir a instalação de câmeras de vigilância, resultando em diversos feridos.

Após a última onda de prisões, um comício intitulado “Eliminação dos Seis Males” foi realizado em Yayang em 18 de dezembro. A exibição pública de veículos policiais, unidades da SWAT e agentes de choque visava reforçar a narrativa oficial de combate ao crime. Moradores alegam que policiais posicionados perto de suas casas cristãs os instruíram a apresentar acusações contra os líderes detidos, insinuando irregularidades. Cartazes e declarações oficiais retratavam a comunidade cristã como parte de um culto ou grupo criminoso, deslegitimando suas práticas e crenças. Embora o número exato de pessoas formalmente acusadas nas igrejas de Yayang permaneça incerto, estimativas iniciais sugerem que mais de vinte indivíduos podem ter sido indiciados, consolidando a percepção de que a operação era um ataque direcionado à liberdade religiosa.

As Implicações da Perseguição Religiosa na China

A recente operação em Yayang não é um incidente isolado, mas sim parte de um padrão mais amplo de repressão religiosa na China, especialmente contra comunidades cristãs não registradas ou que resistem à crescente sinicização da fé. Em setembro, relatórios indicavam que pelo menos 70 cristãos foram detidos em uma série de batidas policiais contra igrejas não reconhecidas pelo Estado. As acusações, que variam de fraude a reunião ilegal e desvio de fundos da igreja – muitas vezes sem queixas internas prévias – demonstram a amplitude das táticas empregadas pelas autoridades para desmantelar ou controlar essas congregações. A falta de transparência e a rápida remoção de informações online tornam extremamente difícil para a comunidade internacional avaliar a verdadeira extensão e as justificativas para essas ações.

O impacto dessas políticas é devastador para a liberdade religiosa no país. Fontes locais indicam que, após a repressão, mais de 80 grupos religiosos na região suspenderam suas atividades, deixando apenas um pequeno número de congregações em funcionamento. Este cenário reflete uma campanha contínua do governo chinês para garantir que todas as expressões de fé estejam alinhadas com a ideologia do Partido Comunista Chinês, minando a autonomia e a existência de comunidades religiosas que preferem operar fora do controle estatal. A perseguição a líderes e fiéis, sob o pretexto de combater o crime ou manter a ordem social, representa uma grave violação dos direitos humanos fundamentais e um desafio persistente para aqueles que buscam exercer sua fé em liberdade dentro das fronteiras chinesas.

Fonte: https://folhagospel.com

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