Um incidente chocante abalou a comunidade de Kaliro, no leste de Uganda, quando o pastor Joseph Kanooni foi brutalmente agredido por cinco indivíduos armados enquanto se preparava para uma vigília de oração em sua igreja. O ataque, ocorrido na noite de 21 de dezembro, deixou o líder religioso gravemente ferido, com cortes profundos e escoriações por todo o corpo. Os agressores, identificados em parte pelo pastor, confrontaram Kanooni com acusações de “desviar seus filhos”, sugerindo uma motivação de intolerância religiosa por trás da violência. A agressão ressalta as tensões religiosas persistentes na região, apesar das garantias constitucionais de liberdade de culto no país. A polícia local iniciou uma caçada aos suspeitos, enquanto líderes comunitários clamam por justiça e paz.
O Ataque Violento e as Alegações de Proselitismo
Detalhes da Agressão e as Acusações dos Agressores
O ataque ao pastor Joseph Kanooni, líder da Igreja Revival Mission Centre, em Kaliro, ocorreu em um momento de devoção e preparação. Na noite fatídica de 21 de dezembro, enquanto o pastor se dedicava aos preparativos finais para uma vigília de oração, um grupo de cinco homens o emboscou. Armados com paus e objetos cortantes, os agressores invadiram o templo e cercaram Kanooni, iniciando um confronto que rapidamente escalou para violência. Segundo o próprio pastor, os homens o acusaram verbalmente de “desviar seus filhos” ao incentivá-los a frequentar os cultos cristãos, uma alegação que aponta diretamente para uma motivação de intolerância religiosa. Este tipo de acusação não é inédito na região, onde as conversões religiosas são frequentemente vistas com hostilidade por alguns setores.
O pastor Kanooni conseguiu identificar dois dos seus agressores como Ismael Mukulu e Fahadi Kuluza. A identificação é crucial, pois Kanooni revelou que já havia tido discussões religiosas prévias com esses indivíduos e, inclusive, recebido ameaças diretas. Essa revelação sugere que o ataque não foi um evento isolado ou espontâneo, mas sim o clímax de uma animosidade pré-existente, enraizada em diferenças de fé. O pastor descreveu a repentina brutalidade da agressão, afirmando: “Eles me atacaram de repente enquanto eu trabalhava dentro da igreja. Tentei me proteger, mas fui dominado e acabei perdendo a consciência.” A gravidade do ataque e a perda de consciência indicam uma intenção clara de causar danos significativos, levando à internação hospitalar do pastor, onde ele recuperou os sentidos e recebeu tratamento para seus ferimentos.
O Socorro Imediato e a Reação Comunitária
O Resgate e a Busca por Justiça
A descoberta do pastor Joseph Kanooni, gravemente ferido, foi feita por membros da própria congregação. Solomon Kiseka, um dos membros da igreja, relatou que eles haviam levado comida para o pastor, que estava sozinho nos preparativos da vigília. Ao chegarem e não encontrarem Kanooni dentro do templo, a equipe começou a procurá-lo nas imediações, temendo o pior. Foi atrás da igreja que o encontraram, inconsciente e com ferimentos profundos nas mãos e nas costas, marcas claras da selvageria do ataque. “Procuramos ao redor e o achamos ferido e pedindo ajuda,” recordou Kiseka. A cena era alarmante, e a urgência da situação levou os fiéis a agirem rapidamente.
Os membros da igreja providenciaram transporte imediato para o pastor, levando-o às pressas para uma clínica próxima, onde recebeu os primeiros socorros. Dada a gravidade de seus ferimentos, Kanooni foi posteriormente transferido para um hospital de maior porte para tratamento adicional e monitoramento. Felizmente, seu estado de saúde foi declarado estável, embora a recuperação completa ainda seja um desafio. Paralelamente ao esforço de resgate e tratamento médico, as autoridades locais foram acionadas. A polícia do leste de Uganda iniciou uma investigação intensiva, com equipes dedicadas à procura dos cinco suspeitos envolvidos no ataque. A comunidade espera que os responsáveis sejam prontamente identificados e levados à justiça, garantindo que atos de violência motivados por intolerância religiosa não fiquem impunes. Este esforço coletivo demonstra a solidariedade da comunidade cristã e a demanda por segurança e respeito à liberdade religiosa.
O Contexto da Perseguição Religiosa em Uganda
O ataque ao pastor Joseph Kanooni não é um incidente isolado, mas sim um doloroso lembrete das tensões religiosas e dos desafios à liberdade de fé em Uganda. Embora a Constituição do país garanta formalmente a liberdade religiosa, incluindo o direito de compartilhar a própria fé e de se converter de uma religião para outra, a realidade no terreno muitas vezes contradiz esses preceitos legais. Relatos de perseguição a cristãos são frequentes, especialmente em regiões como o leste de Uganda, onde a população muçulmana é mais concentrada, representando cerca de 12% do total nacional. Esses casos, que variam de ameaças e assédio a agressões físicas e destruição de propriedades, expõem uma lacuna entre a legislação e sua aplicação prática, ou a eficácia das autoridades em proteger minorias religiosas.
A agressão a Kanooni galvanizou líderes religiosos locais, que se manifestaram publicamente para condenar veementemente o ataque. Eles emitiram apelos urgentes às autoridades, exigindo que os responsáveis sejam presos, processados e julgados de acordo com a lei. Além da busca por justiça para o pastor, os líderes também clamaram pela promoção da paz e da coexistência harmoniosa entre as diferentes comunidades religiosas. Este incidente serve como um alerta para a necessidade de fortalecer o diálogo inter-religioso e implementar medidas mais eficazes para proteger a liberdade de culto. A perseguição a indivíduos por suas crenças representa uma violação fundamental dos direitos humanos e um obstáculo ao desenvolvimento social e à estabilidade de Uganda, exigindo uma resposta contundente e preventiva das autoridades e da sociedade civil para assegurar que tais atos de intolerância não se repitam no futuro.
Fonte: https://guiame.com.br