Um recente relatório da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), uma organização humanitária católica, revela que aproximadamente 4,1 bilhões de indivíduos, o que representa metade da população mundial, enfrentam algum grau de perseguição religiosa em 24 nações. O estudo, intitulado 'Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo 2025', destaca um aumento alarmante de incidentes anticristãos, observados particularmente em países ocidentais, como os da Europa e América do Norte.
O levantamento aprofunda que cerca de 5,4 bilhões de pessoas – dois terços da humanidade – residem em territórios onde graves violações da liberdade religiosa são uma realidade constante. A pesquisa diferencia as formas de perseguição em duas categorias, conforme definido pelo falecido Papa Francisco em 2016: a 'perseguição explícita', que envolve atos abertos de hostilidade, e a 'perseguição polida', manifestada por pressões mais sutis de natureza legal, cultural ou internacional.
Aumento da Hostilidade no Ocidente e Subnotificação
A falta de responsabilização no Ocidente é apontada como um problema central pelo relatório da ACN. O documento argumenta que a ausência de medidas eficazes contra a 'perseguição polida', em contraste com o combate a outras formas de crimes de ódio, sinaliza uma forma velada de discriminação. A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que abrange uma vasta região, é motivo de particular preocupação, com o relatório observando uma subnotificação crônica de incidentes contra cristãos por parte de muitos estados membros, apesar de evidências sugerirem uma piora na situação.
Casos Notáveis nos Estados Unidos e Europa
Nos Estados Unidos, o relatório identifica um aumento notável de atos de vandalismo contra igrejas e outros locais cristãos. Crítico é o fato de o governo norte-americano não divulgar dados oficiais sobre esses incidentes, deixando a cargo de grupos da sociedade civil, como a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, a tarefa de documentar a frequência e gravidade dos ataques. Esta conferência registrou 56 incidentes em propriedades da Igreja em 2024 e mais 19 no primeiro semestre de 2025, incluindo a detonação de um artefato explosivo em um altar na Pensilvânia e múltiplos atos de incêndio criminoso em igrejas de Massachusetts, Arizona e Flórida.
Cenário similar de escalada é observado em nações europeias. Em 2023, a França contabilizou mil incidentes anticristãos, enquanto a Grécia registrou 600 casos de vandalismo contra igrejas. No Canadá, 24 igrejas foram alvo de incêndio criminoso entre 2021 e 2024. Países como Espanha, Itália e Croácia também testemunharam crescentes profanações de locais de culto, agressões a membros do clero e interrupções de serviços religiosos, frequentemente impulsionados por hostilidade ideológica ou extremismo antirreligioso.
Desafios à Liberdade Religiosa em Diversas Regiões
Em outras partes da região da OSCE, incluindo Armênia, Azerbaijão, Ucrânia e Rússia, as autoridades têm detido objetores de consciência que se recusam a prestar serviço militar por razões religiosas ou éticas. A Turquia, por sua vez, impõe restrições sistemáticas à prática religiosa, à liberdade de expressão e à igualdade perante a lei para grupos religiosos minoritários.
Mesmo em democracias ocidentais como a Bélgica, instituições religiosas enfrentam pressões legais crescentes para fornecer serviços que contrariam suas doutrinas, como aborto e eutanásia assistida. O relatório da ACN ainda menciona que líderes religiosos belgas sofreram sanções por se recusarem a ordenar mulheres.
A Austrália, embora tradicionalmente proteja a liberdade religiosa, é outro país onde o relatório manifesta preocupação com desenvolvimentos recentes. Alguns estados australianos agora exigem que prestadores de serviços de saúde religiosos encaminhem pacientes para procedimentos que conflitam com suas crenças. Um caso notável citado é o confisco de um hospital católico por um estado devido à sua recusa em realizar abortos.