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Perseguição a Cristãos Atinge 388 Milhões Globalmente, Aponta Novo Relatório

Cruz e Bíblia manchadas de sangue no chão (Foto: Folha Gospel/Canva IA)

Mais de 388 milhões de cristãos ao redor do mundo enfrentam algum nível de perseguição, o equivalente a um em cada sete fiéis, revelou a Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2026, divulgada hoje pela organização internacional Portas Abertas. O levantamento anual, que classifica os 50 países onde os cristãos são mais oprimidos, aponta um agravamento da violência e pressão, com um aumento significativo da perseguição extrema em 15 nações, incluindo a Síria, que ascendeu drasticamente no ranking.

Os dados, compilados entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, indicam que 34 dos 50 países listados registraram um aumento na hostilidade contra a comunidade cristã, sublinhando uma tendência global preocupante de intensificação da intolerância religiosa.

Síria: Agravamento Pós-Conflito e Vazio de Poder

A Síria emerge como um dos pontos de maior preocupação na LMP 2026, saltando da 18ª para a 6ª posição. A escalada da violência contra cristãos é atribuída, em grande parte, à queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, que criou um vácuo de poder preenchido por milícias locais e grupos armados. Essa instabilidade resultou em ataques a igrejas, fechamento de escolas cristãs e assassinatos, tornando os seguidores de Jesus vulneráveis a intimidação e extorsão.

Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas, ressaltou a urgência da situação: “O ataque de junho em Damasco, que ceifou a vida de 22 cristãos, desfez qualquer ilusão de segurança. Essa realidade exige atenção urgente: quando a proteção estatal colapsa e a ideologia extremista ocupa o vazio, minorias religiosas pagam o preço. O mundo não pode virar as costas novamente.”

Crise Humanitária e Religiosa na África Subsaariana

A África Subsaariana permanece uma região crítica, com a perseguição em constante crescimento e afetando cristãos em 14 países. Mais de 721 milhões de pessoas na região enfrentam violência, e quase metade delas é cristã. Sudão, Nigéria e Mali atingiram a pontuação máxima de violência na edição de 2026, todos localizados nesta região.

A Nigéria, em particular, continua sendo o país mais letal para os cristãos, com 3.490 mortes registradas — um aumento em relação aos 3.100 do ano anterior —, de um total global de 4.849. Esse cenário é impulsionado por governos fragilizados que permitem a expansão de grupos extremistas em países como Burkina Faso, República Democrática do Congo, Somália e Moçambique, onde a ausência estatal é explorada para impor ideologias radicais.

Coreia do Norte: O Topo da Repressão Inabalável

Pelo quinto ano consecutivo, a Coreia do Norte mantém a primeira posição como o local mais perigoso para se professar a fé cristã. A devoção inquestionável ao regime da família Kim não tolera qualquer prática religiosa independente, e ser descoberto como cristão acarreta punições severas, como prisão em campos de trabalho forçado ou execução sumária, estendendo-se frequentemente aos membros da família.

As poucas igrejas existentes na capital, Pyongyang, servem primariamente a propósitos propagandísticos. A realidade para os cristãos secretos é de vigilância constante, onde qualquer indício de fé pode ter consequências devastadoras. A situação foi ainda mais agravada pela Lei do Pensamento Reacionário, que criminaliza explicitamente a posse de Bíblias ou a prática do cristianismo, reforçando a percepção do regime de que a fé cristã é uma amea ameaça à sua autoridade. Apesar de algumas interações diplomáticas e tentativas de desenvolvimento, a repressão e a crise humanitária persistem, tornando a vida dos cristãos secretos um desafio extremo.

Outros Destaques da Lista

O Nepal, que havia saído da lista em 2022, reingressou na 46ª posição da LMP 2026, devido a um aumento na violência que resultou em mais prisões, abusos e ataques a igrejas. Em contraste, o Vietnã deixou a lista dos 50 principais países, embora a Portas Abertas ressalte que essa saída não significa o fim da perseguição aos cristãos no país, mas sim uma reconfiguração da intensidade em comparação com outras nações.

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