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Igreja da Inglaterra Encerra Processo-Chave sobre Uniões Homoafetivas

 (Photo: Church of England / Sam Atkins)

A Câmara dos Bispos da Igreja da Inglaterra anunciou o encerramento formal do processo "Living in Love and Faith (LLF)", uma extensa iniciativa iniciada em 2017 para explorar questões de identidade humana, sexualidade, relacionamentos e o conceito de casamento dentro da fé anglicana. A conclusão do processo, comunicada através de uma carta, reafirma a aprovação de orações de bênção para casais do mesmo sexo — conhecidas como "Prayers of Love and Faith" —, mas indica que a permissão para a realização de casamentos homoafetivos nas igrejas e para clérigos em uniões do mesmo sexo ainda exige complexos processos legislativos sob o direito canônico. A formalização do fim do LLF está prevista para fevereiro de 2026.

Contexto e Desenvolvimento do LLF

Lançado como um marco significativo na tentativa da Igreja de abordar divergências internas sobre a inclusão LGBTQ+, o programa LLF buscou um caminho de estudo, escuta e discernimento. Seu objetivo principal era considerar se a denominação deveria abençoar uniões e casamentos homoafetivos, além de permitir que membros do clero pudessem estar em relacionamentos do mesmo sexo. O esforço culminou na criação das "Prayers of Love and Faith", um conjunto de orações e bênçãos públicas para casais do mesmo sexo a serem incorporadas nos serviços regulares da igreja. Estas foram aprovadas pelo Sínodo Geral, o corpo parlamentar da Igreja da Inglaterra, em fevereiro de 2023.

Barreiras Legais e Ausência de Consenso

A intenção de desenvolver serviços de bênção autônomos e diretrizes para clérigos em uniões homoafetivas encontrou um obstáculo legal em outubro passado, quando os bispos reconheceram a impossibilidade de implementar tais alterações sem uma autorização formal e completa conforme o direito canônico. A carta dos bispos confirmou que a introdução de serviços de bênção personalizados exigirá a máxima autorização comunitária, especificamente sob o Canon B2, uma seção da lei eclesiástica que regula a doutrina e o culto. Da mesma forma, a permissão geral para clérigos em casamentos civis do mesmo sexo dependerá de um processo legislativo formal, que os bispos se comprometeram a explorar. A carta enfatiza que, embora alguns setores da Igreja defendam a solenização de casamentos do mesmo sexo, "não há consenso suficiente para avançar com estas sugestões neste momento, dada a amplitude e o equilíbrio de visões em toda a Igreja."

Próximos Passos e Reconhecimento da Dor

A questão da "Delegated Episcopal Ministry" – um mecanismo que permitiria aos oponentes das bênçãos para casais do mesmo sexo receberem supervisão de bispos com convicções semelhantes – foi novamente descartada nesta fase, embora a Comissão de Fé e Ordem vá aprofundar a reflexão teológica sobre o tema. Para endereçar as questões remanescentes e evitar ciclos de "esperanças ou ansiedades levantadas apenas para serem decepcionadas", os bispos instituíram um Grupo de Trabalho. Este grupo terá a missão de examinar argumentos teológicos e vias legais para a aprovação de serviços de bênção autônomos e a permissão de casamentos homoafetivos para clérigos, além de considerar provisões episcopais pastorais. As recomendações serão apresentadas ao Sínodo Geral nos primeiros dois anos do próximo quinquênio.

O Bispo de Winchester, Philip Mounstephen, reconheceu o caráter conturbado do processo LLF, expressando pesar pela "dor e alguma raiva" que causou a muitos. Ele destacou, contudo, que a situação atual representa um compromisso com um "devido e apropriado processo" para a continuidade do diálogo e discernimento.

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