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Moçambique: Ataques Extremistas Ceifam Vidas e Geram Deslocamento Massivo

Os cristãos continuam sendo alvo dos extremistas. (Foto: Ilustração/Unsplash/Ninno JackJr)

Uma recente onda de ataques perpetrados por extremistas islâmicos, supostamente ligados ao Estado Islâmico da Província de Moçambique (ISCAP), deixou um rastro de pelo menos 22 mortos e milhares de deslocados no norte do país. A violência, que se intensificou na última semana de novembro, atingiu diversas comunidades, com relatos preocupantes de perseguição direcionada a cristãos e a destruição sistemática de lares e infraestruturas.

Escalada da Violência e Devastação

Os primeiros registros de grande impacto ocorreram em 20 de novembro, quando militantes invadiram a aldeia Primeiro de Maio, no distrito de Muidumbe, província de Cabo Delgado. Quatro civis foram brutalmente assassinados e residências incendiadas. Aldeias próximas, como Nampanha e Mapate, também sentiram o rigor da ofensiva. A organização International Christian Concern (ICC) detalhou o cenário de terror, com corpos abandonados e sobreviventes buscando refúgio desesperadamente em florestas ou cidades consideradas mais seguras.

Dias após o ataque inicial, a escalada se acentuou. Em 25 de novembro, o distrito de Memba, na província de Nampula, foi alvo de novos atentados. Na localidade de Mazua, ao menos mais quatro pessoas perderam a vida, desencadeando um novo êxodo populacional. “Milhares de famílias sofrem enquanto tentam fugir dos terroristas. A maioria das casas foi queimada e pessoas foram mortas”, relatou um sobrevivente ao ICC, ilustrando a dimensão do sofrimento.

Crise Humanitária e Perseguição Religiosa

A insegurança generalizada forçou dezenas de milhares de moçambicanos a abandonarem suas moradias e plantações. Somente no distrito de Memba, mais de 80 mil pessoas foram deslocadas, segundo dados preliminares. Um líder local descreveu a situação como de “uma população dominada pelo medo” e sem alternativas para escapar da violência. A província de Eráti também foi severamente afetada, com vilarejos como Pavala, Sirissa, Nhage e Nahavara testemunhando a fuga massiva de famílias que deixavam tudo para trás, levando apenas as roupas do corpo.

Relatos de testemunhas e sobreviventes indicam que os ataques tiveram um viés religioso pronunciado. Durante a semana em questão, aproximadamente 22 cristãos foram mortos, e suas comunidades, que incluem igrejas centenárias, foram abandonadas. O bispo Alberto Vera, de uma das regiões atingidas, descreveu a semana como de “terror e muito sofrimento”, ressaltando que “pais e filhos tiveram que fugir para lugares mais seguros”. O ICC reforçou que cristãos foram visados especificamente por causa de sua fé, consolidando a percepção de perseguição religiosa no conflito.

Contexto da Insurgência em Moçambique

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é palco de uma insurgência islâmica desde 2017, liderada por grupos como o ISCAP, que busca estabelecer um califado na região. O conflito já causou a morte de milhares de pessoas e o deslocamento de mais de um milhão de indivíduos ao longo dos anos, transformando-se em uma grave crise humanitária e de segurança. A riqueza em recursos naturais da região, especialmente gás natural, adiciona uma camada de complexidade ao cenário, atraindo a atenção internacional para os desafios enfrentados pelo governo moçambicano e pela população local. A recente escalada sublinha a persistência e a brutalidade da violência, mantendo as comunidades sob constante ameaça.

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