Um ano após enfrentar uma intensa ofensiva de grupos armados que a deixou à beira do colapso, Goma, a capital da província de Kivu do Norte na República Democrática do Congo (RDC), começa a mostrar sinais de uma recuperação gradual. A cidade, que serve como um epicentro econômico e humanitário no leste congolês, testemunha o retorno de parte de sua população e a reativação de atividades comerciais, apesar das profundas cicatrizes e dos persistentes desafios de segurança.
O Cenário da Crise: O Avanço do M23
A crise que assolou Goma no período em questão foi impulsionada principalmente pelo avanço do grupo rebelde M23 em meados de 2022 e início de 2023. Essa escalada resultou no deslocamento de centenas de milhares de civis que buscaram refúgio nos arredores da cidade e em campos improvisados. Rotas de abastecimento cruciais foram cortadas, paralisando a economia local e agravando uma já precária situação humanitária na região, rica em recursos naturais, mas cronicamente afetada por conflitos.
Durante o auge do confronto, bairros foram esvaziados e a infraestrutura básica foi comprometida. A comunidade internacional e agências humanitárias foram mobilizadas para prestar assistência emergencial, enquanto as forças de segurança congolesas, apoiadas por uma força regional da Comunidade da África Oriental (EAC), tentavam estabilizar a situação.
Sinais de Resiliência e Reconstrução
Hoje, a paisagem urbana de Goma reflete a tenacidade de seus habitantes. Mercados que outrora estavam desertos agora fervilham com a movimentação de comerciantes e consumidores. Há um esforço notável para restaurar a rotina diária, com escolas e hospitais reabrindo, embora muitos operem com recursos limitados. A reconstrução de moradias e a reativação de pequenos negócios são impulsionadas pela iniciativa local e, em parte, pelo apoio de organizações não governamentais.
Apesar do cenário de dificuldades, a resiliência da sociedade civil em Goma se manifesta na capacidade de adaptação e na busca por soluções para os problemas cotidianos. Este processo de recuperação é, contudo, um testemunho da necessidade de paz duradoura e de investimentos sustentáveis para a estabilização regional.
Desafios Persistentes e a Busca por Estabilidade
Entretanto, a aparente normalidade mascara uma realidade ainda frágil. A segurança permanece a principal preocupação, com a contínua presença de grupos armados e o risco de novas hostilidades na região de Kivu do Norte. Milhões de deslocados internos ainda aguardam condições seguras para um retorno definitivo. A reconstrução econômica de longo prazo exige não apenas a ausência de conflitos, mas também o fortalecimento das instituições e o combate à impunidade.
A comunidade internacional continua monitorando a situação de perto, ciente de que a estabilidade em Goma é crucial para a paz em toda a região dos Grandes Lagos. A superação completa dos traumas e prejuízos causados pela ofensiva de um ano atrás ainda é um caminho longo, exigindo um compromisso contínuo com a paz, a segurança e o desenvolvimento socioeconômico.