O teólogo presbiteriano Caio Modesto foi formalmente intimado pela Polícia Federal para prestar depoimento presencial. A ação ocorre no âmbito de uma investigação que apura a possível prática de crimes de homofobia e racismo, motivada por um vídeo publicado em suas redes sociais, no qual o religioso expõe sua compreensão acerca do casamento sob uma ótica bíblica.
Contexto da Investigação
Segundo informações divulgadas pelo próprio Caio Modesto, a intimação decorre de uma denúncia relacionada a uma declaração proferida em contexto religioso. No material que ensejou a investigação, o teólogo afirmou que o casamento bíblico seria restrito à união entre um homem e uma mulher, e que interpretações diversas seriam contrárias aos princípios que ele considera sagrados.
Em sua defesa, Modesto sustenta que sua fala representa uma convicção religiosa fundamentada na fé cristã histórica e nos ensinamentos das Escrituras Sagradas, enfatizando que não possuía intenção de ofender ou discriminar qualquer pessoa ou grupo. Ele reforçou que sua manifestação não visava incitar violência, exclusão social ou negar a dignidade humana, a qual ele afirma respeitar em todos os indivíduos.
Fundamentação Teológica e Repercussão
O teólogo fundamenta sua posição em passagens bíblicas, notadamente no livro de Romanos (1.24–27), onde o apóstolo Paulo discorre sobre a rejeição da ordem divina. Para Modesto, trata-se de um ensinamento doutrinário interno à fé cristã, manifestado em ambiente religioso, e não de um discurso de ódio ou de natureza discriminatória.
A intimação gerou ampla repercussão entre a comunidade cristã, com milhares de fiéis expressando apoio a Caio Modesto por meio de orações e mensagens de solidariedade. O teólogo, ao agradecer o suporte recebido, aproveitou para criticar o atual cenário de debates religiosos nas plataformas digitais, comparando a expressão da fé online a uma arena hostil onde convicções cristãs históricas são frequentemente “vigiadas, criticadas e até tratadas como crime”.
Análise de Juristas
O caso também provocou manifestações de juristas ligados ao meio cristão. O advogado Benoni Mendes, por exemplo, alertou para o que ele considera um avanço na criminalização da fé. Em sua análise, líderes religiosos e fiéis poderiam ser alvo de inquéritos por simplesmente explicarem ou defenderem os textos sagrados em que acreditam. Mendes solicitou apoio a Modesto, ressaltando que o inquérito poderia ter desdobramentos graves, como a prisão, o que ele classificou como um absurdo para um líder religioso que expõe os fundamentos de sua crença.