Um novo relatório do Instituto Internacional para a Liberdade Religiosa (IIRF), divulgado em janeiro de 2026, revelou um alarmante aumento na violência contra comunidades cristãs em diversas partes do mundo. O estudo, que contou com o apoio da International Christian Concern (ICC), analisou incidentes registrados entre julho de 2024 e junho de 2025, identificando uma variedade de agressores em cinco continentes: África, Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul.
O documento aponta que grupos paramilitares, agentes estatais, milícias rebeldes e cartéis criminosos são os principais responsáveis por atos de perseguição religiosa. A violência abrange desde homicídios e detenções arbitrárias até a destruição de templos, o deslocamento forçado de populações e outras manifestações de repressão direcionadas pela fé cristã.
Violência no Continente Africano
Na África, milícias islâmicas e grupos armados, como o ISIS-Moçambique, al-Shabab e o Estado Islâmico da Província de Moçambique (ISMP), foram identificados como os principais instigadores dos ataques. Estas organizações, atuantes há anos no norte moçambicano, são responsáveis por atrocidades; em setembro de 2025, mais de 30 cristãos foram decapitados por militantes islâmicos na região. Relatos da Mission Network News indicam que os agressores frequentemente separam os fiéis cristãos de outros habitantes antes dos ataques, evidenciando a motivação religiosa explícita.
Informações do Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos (DNI), de abril de 2025, sugerem que o objetivo dessas facções é derrubar o governo de Moçambique, implementar a sharia (lei islâmica) e erradicar influências estrangeiras e o ensino secular.
Perseguição na Ásia
No continente asiático, o relatório sublinha a atuação de grupos armados alinhados ao governo, especialmente em Myanmar, como uma fonte primária de perseguição. A instabilidade política pós-golpe militar, somada a um crescente nacionalismo budista, tem gerado ataques sistemáticos contra comunidades cristãs, notadamente no estado de Chin. Líderes de direitos humanos alertam que esses incidentes não são isolados, mas parte de uma estratégia deliberada para suprimir a identidade religiosa e cultural de grupos cristãos.
Impacto do Conflito na Europa
Na Europa, a população cristã foi diretamente afetada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia. A Comissão de Segurança e Cooperação na Europa relatou que autoridades russas têm reprimido igrejas protestantes, frequentemente sob a acusação de serem 'agentes estrangeiros'. Paralelamente, a Organização das Nações Unidas (ONU) manifestou preocupação, em um relatório de outubro de 2025, com as restrições impostas pela Ucrânia à Igreja Ortodoxa Ucraniana, supostamente devido a laços com o Patriarcado de Moscou.
Incidentes na América do Norte
Na América do Norte, a maioria dos ataques foi atribuída a indivíduos isolados e a grupos extremistas de ódio. O relatório detalha tiroteios, incêndios criminosos e atos de vandalismo contra igrejas nos Estados Unidos. Em junho de 2025, por exemplo, um indivíduo armado foi detido ao tentar invadir uma igreja em Michigan. Dois meses depois, em agosto do mesmo ano, um ataque a uma igreja e escola católica em Minnesota resultou em 21 feridos e a morte de duas crianças.
Cenário na América do Sul
Na América do Sul, cartéis criminosos e governos autoritários foram designados como os principais vetores de perseguição. Em várias nações, cristãos tornam-se alvos ao denunciar atividades ilícitas ou violações de direitos humanos. A situação na Nicarágua é particularmente grave, onde o regime tem empregado leis repressivas para perseguir igrejas e líderes religiosos críticos. A Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) observou que instituições religiosas são frequentemente percebidas como ameaças ao poder estatal.
O IIRF enfatiza que centenas de milhões de cristãos ao redor do globo enfrentam algum tipo de perseguição anualmente. Embora muitos casos sejam minuciosamente documentados, o número real de vítimas pode ser consideravelmente superior, uma vez que inúmeros indivíduos se abstêm de denunciar abusos por temor a retaliações, violências adicionais ou até mesmo à morte.