O Arcebispo de York, Stephen Cottrell, foi desonerado de qualquer má conduta no manejo de uma denúncia de proteção, conforme decisão anunciada pelo presidente do processo disciplinar da Igreja da Inglaterra. A medida encerra um período de escrutínio sobre sua atuação no caso envolvendo o ex-sacerdote David Tudor, que foi posteriormente impedido de exercer o ministério por agressão sexual.
A investigação sobre a conduta de Cottrell surgiu após uma reportagem da BBC em 2024, que alegava que o arcebispo havia permitido que Tudor permanecesse em suas funções por nove anos, quando era Bispo de Chelmsford, e retornasse como decano da área, mesmo ciente de sérias preocupações de proteção.
David Tudor foi subsequentemente proibido de qualquer função eclesiástica após ser condenado por agressão sexual contra duas adolescentes. Em sua defesa, o Arcebispo Cottrell sempre alegou que havia restrições legais que o impediam de remover Tudor mais prontamente.
Decisão Judicial e Justificativa
Sir Stephen Males, presidente da Medida Disciplinar do Clero (CDM) da Igreja da Inglaterra, concluiu que não há base para um caso de má conduta contra Cottrell. Em sua declaração, Sir Stephen afirmou que o arcebispo "não tinha poder para remover ou suspender David Tudor do ministério" no período em questão. Embora tenha reconhecido que "alguns erros foram cometidos na gestão do caso de David Tudor", a decisão final foi de não requerer que um tribunal disciplinar se pronunciasse sobre o assunto.
Repercussão e Compromisso do Arcebispo
A absolvição de Cottrell provocou reações diversas. Uma das vítimas de Tudor expressou à BBC sentir-se "enojada e consternada" pela decisão, levantando questionamentos sobre a prestação de contas dentro da liderança da Igreja da Inglaterra. Críticos também observaram a proximidade temporal com a decisão de Cottrell de arquivar uma ação disciplinar contra a nova Arcebispa de Canterbury, Dame Sarah Mullally.
Em resposta à decisão de Sir Stephen Males, o Arcebispo Cottrell admitiu que "há coisas que gostaria de ter feito de forma diferente". Ele expressou profundo arrependimento, afirmando: "Lamento que a renomeação do Sr. Tudor como Decano de Área não tenha considerado suficientemente o impacto sobre aqueles a quem ele prejudicou". O arcebispo enfatizou que, com a compreensão atual sobre trauma e a ênfase na escuta aos sobreviventes, adotaria uma abordagem distinta. Ele reiterou seu compromisso com o aprimoramento contínuo dos padrões de proteção na Igreja da Inglaterra, buscando ativamente aprender com as experiências de vítimas e sobreviventes para fortalecer as práticas de 'safeguarding'.
Evolução das Normas de Proteção
A Igreja da Inglaterra tem implementado reformas substanciais em suas políticas de proteção a menores e vulneráveis. Essas mudanças refletem uma conscientização crescente sobre a necessidade de um ambiente mais seguro e transparente, distanciando-se de práticas passadas que, em alguns casos, falharam em proteger adequadamente as vítimas. O foco atual reside na prevenção, na escuta ativa dos sobreviventes e na responsabilização, elementos centrais para reconstruir a confiança e garantir a integridade de suas instituições.