O Presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Johnson (Republicano-Louisiana), apresentou recentemente uma fundamentação detalhada, baseada em preceitos bíblicos, para a implementação de uma segurança robusta nas fronteiras e a rigorosa aplicação das leis de imigração. A declaração, feita no Capitólio após uma votação que encerrou uma paralisação parcial do governo e expandida em uma publicação na plataforma X, reiterou a crença de Johnson de que a manutenção de fronteiras nacionais é uma responsabilidade intrínseca ao governo civil, alinhada com as Escrituras Sagradas.
Contexto da Discussão e Interpretações Religiosas
A manifestação do líder republicano foi motivada, em parte, por questionamentos que remetiam a críticas a políticas de deportação, muitas vezes embasadas em passagens bíblicas como Mateus 25:35, que enfatizam a compaixão pelos migrantes. Johnson, um advogado constitucionalista e cristão evangélico, defendeu que a compreensão integral dessas passagens requer uma análise cuidadosa do contexto em que foram proferidas, distinguindo as responsabilidades individuais das governamentais.
A Visão de Johnson: Esferas de Autoridade Divinas
Johnson abordou especificamente Levítico 19:34, que instrui a amar o estrangeiro como a si mesmo. Ele argumentou que este mandamento era dirigido a indivíduos israelitas durante sua jornada no deserto, e não como uma diretriz explícita para a gestão de um governo civil soberano. O Presidente da Câmara enfatizou uma distinção bíblica entre quatro esferas de autoridade divinamente ordenadas:
1. <b>Indivíduos:</b> Responsáveis pela conduta pessoal e pelo amor ao próximo. 2. <b>Famílias:</b> Encarregadas da educação dos filhos e da provisão para os parentes. 3. <b>Igreja:</b> Com a tarefa do discipulado e do ministério. 4. <b>Governo Civil:</b> Estabelecido para manter a ordem, aplicar leis, punir o mal e exercer autoridade, conforme descrito em Romanos 13:1-4.
Segundo Johnson, a aplicação da misericórdia e do cuidado pelos “menos favorecidos” (Mateus 25:31-40) pertence à esfera pessoal dos crentes. Ignorar as leis ou o crime, ele argumenta, violaria o papel atribuído por Deus ao governo, pois, como afirma Eclesiastes 8:11, “quando um crime não é punido rapidamente, as pessoas sentem-se seguras para fazer o mal”.
Fronteiras e Soberania na Perspectiva Bíblica
O Porta-voz da Câmara sustentou que a Bíblia valida a existência de fronteiras e nações distintas. Ele citou passagens que descrevem Deus estabelecendo nações (Gênesis 18:18, Atos 17:26) e mandamentos para proteger marcos de limites (Deuteronômio 19:14, 27:17). A reconstrução dos muros de Jerusalém por Neemias também foi mencionada como um exemplo de trabalho nobre e divinamente aprovado na proteção de uma comunidade.
Johnson utilizou uma analogia popularizada pelo Rev. Franklin Graham: “Por que você tranca suas portas à noite? Não porque odeia as pessoas de fora, mas porque ama tanto as pessoas de dentro.” Ele afirmou que fronteiras seguras são medidas defensivas cruciais para salvaguardar vidas e prevenir o caos, e não ações ofensivas ou anti-cristãs. Além disso, o líder criticou visões que promovem “utopias sem fronteiras”, considerando-as contrárias à doutrina bíblica sobre a natureza falha da humanidade e a necessidade de redenção.
O Cenário Atual da Fronteira e Propostas de Ação
O Presidente da Câmara descreveu a situação na fronteira sul dos EUA como uma “catástrofe” decorrente de políticas anteriores, citando a entrada de milhões de pessoas sem autorização legal – o texto original indicava mais de 10 milhões – incluindo indivíduos com histórico criminal ou em listas de vigilância terrorista. Ele também destacou o aumento do tráfico humano e do fentanil, apontado como a principal causa de morte para americanos na faixa etária de 18 a 45 anos.
Johnson defendeu a manutenção de vias legais para a imigração e processos de asilo adequados, instando o uso de autoridades presidenciais existentes, como a seção 8 U.S.C. 1182(f), que confere ao Presidente o poder de restringir a entrada de estrangeiros considerados prejudiciais aos interesses do país. Ele concluiu que, embora a benevolência americana seja um reflexo de suas fundações judaico-cristãs, a soberania e a segurança nacional devem ser preservadas. Para o líder republicano, a segurança de fronteiras não é uma questão partidária, mas sim de bom senso e plenamente respaldada pelas Escrituras, enquanto a caridade e o serviço altruísta permanecem responsabilidades individuais dos cristãos.