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Nigéria Lidera Mortes de Cristãos por Fé, Aponta Relatório

Imagem ilustrativa. (Foto: Portas Abertas).

A Nigéria emergiu como o país mais perigoso para cristãos, sendo palco de mais de 70% das 4.849 mortes de fiéis registradas globalmente por motivos de fé no período de um ano. Os dados são da Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP), divulgada em janeiro pela Missão Portas Abertas – uma organização internacional de apoio a cristãos perseguidos –, cobrindo as ocorrências entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025. O levantamento destaca um agravamento da violência religiosa e da repressão contra comunidades cristãs em diversas regiões do planeta.

Especificamente na Nigéria, 3.490 cristãos foram assassinados por sua crença, um número que representa um aumento significativo em relação aos 3.100 registrados no ano anterior e que corresponde a 72% do total mundial. A nação africana tem sido assolada por uma complexa combinação de hostilidade etno-religiosa, a atuação de grupos criminosos organizados e o enfraquecimento governamental, que juntos criam um ambiente propício para a ação de militantes armados, como o Boko Haram. Essa situação culminou em ataques letais, sequestros em massa – incluindo o de 303 crianças em idade escolar que gerou uma intervenção dos Estados Unidos – e diversas formas de violência física, psicológica e sexual.

Em escala global, a perseguição contra cristãos atingiu um patamar alarmante, com mais de 388 milhões de pessoas enfrentando algum nível de opressão devido à sua fé. O relatório da LMP 2026 indica que a perseguição extrema se intensificou, afetando agora quinze países, impulsionada tanto pelo aumento da violência quanto por mudanças políticas que restringem a liberdade religiosa.

Crescimento de Igrejas Clandestinas e Restrições Digitais

Em resposta à intensificação da vigilância estatal e à regulamentação religiosa mais rígida em várias nações, observa-se um aumento significativo no número de congregações cristãs que operam na clandestinidade. Na Argélia, por exemplo, todas as igrejas protestantes foram oficialmente fechadas pelas autoridades, forçando os fiéis a se reunir secretamente e a enfrentar riscos de prisão. A repressão argelina se estendeu ao ambiente digital, desativando uma comunidade cristã online com mais de 50 mil membros.

A Proibição do Evangelismo Online na China

A China, por sua vez, introduziu novas legislações que impõem severas restrições à disseminação do Evangelho no ambiente digital. As normativas proíbem explicitamente o evangelismo online direcionado a jovens, transmissões ao vivo de cultos, a solicitação de doações, o uso de aplicativos da Bíblia e a veiculação de mensagens sobre cura, limitando drasticamente a prática da fé no ciberespaço.

Agravamento da Crise na África Subsaariana e Oriente Médio

A África Subsaariana permanece como a região mais impactada pela violência religiosa, abrigando três dos países com as maiores pontuações de violência na Lista Mundial da Perseguição: Sudão, Nigéria e Mali. Neste vasto território, onde metade da população professa o cristianismo, o colapso institucional e a fragilidade dos governos, exacerbados por conflitos e escassez de recursos, criam um vácuo de poder que permite a atuação impune de grupos extremistas armados.

A Ascensão do Extremismo na Síria

A Síria também registrou um aumento expressivo em sua pontuação de perseguição, reflexo da escalada de ataques extremistas que tiveram início no final de 2024, quando o grupo jihadista Hay’at Tahrir al-Sham assumiu o controle de certas áreas. A imposição da Sharia – a lei islâmica – na Constituição interina de março de 2025, adicionou uma camada extra de pressão sobre a comunidade cristã local, afetando todos os aspectos de sua vida.

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