Ibrahim Hassan, um homem de 65 anos que dedicou sua vida ao ministério pastoral, compartilha sua extraordinária jornada de fé. Crescendo em um lar muçulmano com a aspiração de se tornar um influente líder islâmico, Hassan converteu-se ao cristianismo e hoje atua como pastor no Chade, uma nação africana onde a perseguição religiosa contra cristãos, especialmente os de origem muçulmana, é uma realidade constante.
Sua transformação começou ainda na adolescência. Após a separação dos pais, Ibrahim se mudou para uma nova aldeia em busca de aprofundar seus estudos islâmicos. Em meio a essa busca, ele encontrou abrigo em uma organização missionária que oferecia moradia a estudantes, sob a condição de participação em cultos matinais de 20 minutos, onde a mensagem do Evangelho era apresentada.
A Descoberta da Fé e a Mudança de Paradigma
Inicialmente, Ibrahim frequentava as reuniões religiosas por conveniência, sem um interesse genuíno. Contudo, a exposição contínua aos ensinamentos bíblicos gradualmente instigou questionamentos sobre o Islã e despertou sua curiosidade pela Palavra de Deus. O ponto de virada ocorreu quando ele percebeu uma profunda revelação: a salvação e a vida eterna não eram alcançadas por meio de boas obras ou estrita observância de preceitos religiosos, como era o entendimento em sua fé anterior, mas sim através da fé em Jesus Cristo.
Ele contrastou as perspectivas teológicas: “No Islã, você reza, jejua, faz tudo, mas depende de Alá se ele o enviará para o paraíso ou para o inferno. É ele que decide o que fazer com você”. Em contrapartida, a mensagem cristã ofereceu uma certeza diferente: “Mas na Bíblia estava escrito que Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Vi que o problema estava resolvido”, narrou Hassan.
Aos 14 anos, durante um estudo bíblico sobre o chamado de Samuel, Ibrahim tomou a decisão de aceitar Jesus como seu Salvador. Ele descreveu uma experiência intensa, sentindo o coração em chamas, e fez um voto de dedicar sua vida ao serviço de Deus.
Perseguição e o Ministério no Chade
Após sua conversão, Ibrahim enfrentou severas perseguições. Relatou ter sido alvo de insultos, sendo chamado de “cristão perverso”, e de atos de desprezo público em sua cidade. No entanto, sua resposta foi de amor e perdão, o que, surpreendentemente, o ajudou a construir amizades e solidificar seu caminho de fé. O Chade, um país predominantemente muçulmano (cerca de 52% da população), com uma significativa minoria cristã (aproximadamente 44%), apresenta um cenário desafiador para a liberdade religiosa, especialmente para aqueles que abandonam o Islã.
Hoje, com nove filhos, Ibrahim lidera um ministério que opera sob risco, oferecendo suporte a cristãos que se converteram do Islã no Chade. Apesar das adversidades, um número crescente de pessoas tem encontrado a fé cristã, muitas vezes através de experiências sobrenaturais, como sonhos com Jesus, ou pelo testemunho impactante da vida de outros cristãos.
Ele citou o exemplo de um professor islâmico que, após ter sonhos recorrentes com Jesus, percorreu longas distâncias para encontrar uma igreja e se converter. Hassan observa que o comportamento e a conduta de cristãos, em contraste com estereótipos negativos, frequentemente levam muçulmanos a questionar suas crenças e a buscar a verdade nos ensinamentos de Cristo.
Acolhimento e Fortalecimento dos Convertidos
O ministério de pastores como Ibrahim é vital para os convertidos, que frequentemente enfrentam rejeição familiar, ostracismo comunitário e ameaças à sua segurança, além da perda de bens e posição social ao abraçarem o cristianismo. A oferta de um ambiente seguro para acolhimento e o ensino da Palavra são cruciais para o crescimento espiritual e a maturidade desses novos crentes, que necessitam de apoio para se firmarem em sua nova fé.
Ibrahim Hassan faz um apelo urgente por orações pelos cristãos perseguidos no Chade. Ele pede que a fé deles seja fortalecida e que o Espírito Santo manifeste milagres, pois, segundo ele, milagres demonstram a verdade e atraem muçulmanos à fé. Adicionalmente, solicita apoio para que a igreja local receba os recursos necessários para construir centros de acolhimento e oferecer formação bíblica, capacitando e sustentando aqueles que se convertem do Islã.