A Arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, juntamente com o Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, formalmente propôs a criação de um "pacto nacional de cuidado social" no Reino Unido. Esta iniciativa abrangente visa redefinir e solidificar as responsabilidades de famílias, comunidades e de todos os níveis de governo na provisão de cuidados para adultos, ao mesmo tempo em que pleiteia um "novo acordo" para os milhões de cuidadores não remunerados que sustentam grande parte do sistema de assistência social.
O Cenário Crítico do Cuidado Social no Reino Unido
Mullally, que anteriormente ocupou o cargo de Chefe de Enfermagem da Inglaterra, ressaltou a ineficácia do sistema de cuidado atual. Ela enfatizou que aproximadamente dois milhões de pessoas com mais de 65 anos e 1,5 milhão em idade ativa não recebem o apoio de que necessitam. A dificuldade das autoridades locais em prover a assistência exigida tem, frequentemente, transferido o ônus principal para os cuidadores informais, uma realidade que sublinha a crise de financiamento e recursos no setor de assistência britânico, agravada por desafios demográficos como o envelhecimento populacional.
O Essencial Papel dos Cuidadores Não Remunerados
Pesquisas indicam que muitos desses cuidadores dedicam rotinas exaustivas, frequentemente ultrapassando 90 horas semanais. A Arcebispa fez questão de reconhecer publicamente o esforço contínuo e exaustivo desses indivíduos, cujo trabalho é crucial para a sociedade, mas muitas vezes invisível e desprovido de suporte adequado, tanto prático quanto financeiro ou emocional.
Propostas do "Novo Acordo" e o Compromisso da Igreja
O sínodo aprovou um "novo acordo para cuidadores não remunerados", com o objetivo de oferecer suporte prático, financeiro e emocional. Adicionalmente, o plano articula a necessidade de uma garantia governamental para o "acesso universal a cuidados e apoio", complementada por assistência financeira para cobrir os custos associados. A própria Igreja da Inglaterra se comprometeu a estabelecer uma rede nacional de locais de apoio, visando promover um senso de comunidade e oferecer suporte direto a cuidadores e assistidos, reconhecendo a importância do bem-estar holístico.
A Concepção do "Pacto": Relação e Obrigação Mútua
A ideia de um "pacto" (covenant), conforme apresentada pela Arcebispa, transcende meras transações impessoais, configurando uma relação profunda e uma obrigação mútua entre as pessoas. Mullally, fazendo referência à Comissão dos Arcebispos sobre Cuidado Social, explicou que um pacto representa uma declaração de solidariedade e um compromisso colaborativo para um objetivo comum, mesmo diante de complexidades. Ela argumentou que o sistema atual falha, em parte, porque a sociedade negligenciou o princípio de que a vida em comunidade exige que todos contribuam e recebam.
Dignidade Humana como Pilar Fundamental
Reforçando os fundamentos éticos da proposta, a Arcebispa enfatizou a dignidade inerente a todo ser humano, criado à imagem divina, salientando que essa dignidade não é diminuída por deficiência, doença ou pela necessidade de cuidado. Ela concluiu seu apelo destacando que a Igreja deve reafirmar que as pessoas não são simplesmente "unidades econômicas de produtividade", mas indivíduos merecedores de acesso a cuidado e apoio, uma necessidade universal que todos, em algum momento da vida, experimentarão, consolidando a visão de um sistema de cuidado que valoriza intrinsecamente cada pessoa.