Quase uma década após o referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, muitas das inquietações fundamentais que impulsionaram o voto 'Leave' permanecem sem resposta, segundo a avaliação de um proeminente líder da Igreja Anglicana. O Bispo Philip North, da diocese de Blackburn, argumenta que a percepção de erosão da soberania e do orgulho nacional foi um motivador central para os eleitores e que esses sentimentos persistem.
North, cuja diocese no noroeste da Inglaterra registrou um forte voto pró-Brexit, destacou que muitos círculos eclesiásticos interpretaram erroneamente as motivações dos eleitores. Contrariando a visão de que o voto seria meramente xenófobo, racista ou um protesto movido pela raiva, o Bispo afirmou ter percebido nos eleitores uma aspiração por uma visão específica de nação. Eles sentiriam que a identidade nacional fora minada ao longo dos anos por um "projeto globalista da UE" e outras pressões externas.
O religioso expressa preocupação de que as divisões observadas à época do referendo ainda são evidentes. Ele lamenta que as preocupações subjacentes sobre a identidade nacional continuam, em grande parte, sem o devido tratamento. North nota que ainda existe um desconforto em expressar orgulho pela nação, pela Família Real ou pelas Forças Armadas, como se esses sentimentos fossem anacrônicos ou inadequados para os tempos atuais.
Reflexões sobre o Papel da Igreja e Desafios Sociais
Em um contexto mais amplo sobre a atuação da Igreja em questões sociais delicadas, o Bispo North já havia manifestado arrependimento por não ter se posicionado publicamente sobre o problema de grupos de exploração sexual de menores, predominantemente muçulmanos paquistaneses, em anos anteriores. Ele atribuiu sua inação à época a um receio de desestabilizar as relações comunitárias, somado a uma desconexão percebida entre a Igreja e as classes trabalhadoras.
North enfatizou a necessidade de autocrítica e instou outros líderes eclesiásticos a refletirem sobre o que chamou de "silêncio impulsionado pelo medo" diante de desafios sociais complexos. Sua perspectiva ressalta a importância de a Igreja desempenhar um papel ativo em ajudar os cidadãos a redescobrir e expressar um orgulho nacional saudável e construtivo.