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Coreia do Sul: Maioria Sem Religião, mas Protestantes Lideram Grupos de Fé

Evangélicos em igreja, na Coreia do Sul (Foto: Ilustrativa/Reprodução)

A Coreia do Sul apresenta um cenário religioso paradoxal, onde a maioria da população se declara sem filiação religiosa, superando qualquer grupo de fé organizado. Conforme o levantamento “Panorama da População Religiosa em 2025” da Korea Research, 51% dos sul-coreanos afirmam não seguir nenhuma religião. Contudo, entre aqueles que professam uma crença, os protestantes estabelecem-se como o maior contingente, representando 20% da população.

O Cenário Religioso Atual

A pesquisa detalha que, após os protestantes, os budistas compreendem 16% da população, seguidos pelos católicos, que somam 11%. Outras crenças minoritárias respondem por 1%. Desde 2015, o protestantismo tem mantido a dianteira entre os grupos religiosos organizados no país, com seu percentual oscilando na faixa dos 20% nos últimos anos, tendo registrado um pico de 22% em 2019. Enquanto o budismo, que possui raízes milenares na península coreana, tem demonstrado estabilidade recente, sua representatividade proporcional diminuiu nas últimas décadas, em contraste com a expansão do cristianismo ao longo do século XX.

A Expansão Histórica do Cristianismo

A introdução do cristianismo na Coreia do Sul remonta ao século XVIII, quando emissários coreanos entraram em contato com textos cristãos durante missões diplomáticas à China, por volta da década de 1780. Inicialmente, a prática foi confrontada com repressão e perseguições por parte das autoridades. O cenário começou a mudar significativamente no século XIX, com a formação das primeiras comunidades protestantes na década de 1860 e a chegada de missionários, majoritariamente norte-americanos, a partir dos anos 1880. A difusão do cristianismo ganhou força em um período de intensa turbulência social e política, que incluía a ocupação japonesa (1910-1945), sendo frequentemente associada a movimentos de modernização e à busca por maior autonomia nacional.

A Igreja do Evangelho Pleno de Yoido: Um Símbolo do Crescimento

A Igreja do Evangelho Pleno de Yoido, localizada em Seul, exemplifica o dinamismo do protestantismo sul-coreano. Fundada em 1958 pelo Pastor David Yonggi Cho, a congregação iniciou suas atividades com apenas cinco membros e experimentou um crescimento exponencial nas décadas seguintes. Em 1985, já contava com aproximadamente 500 mil fiéis e, em 1997, foi reconhecida pelo Guinness Book como a maior congregação do mundo, chegando a cerca de 800 mil membros. Seu complexo, com área superior a 7 mil metros quadrados, abriga um salão principal com capacidade para 21 mil pessoas.

Aos domingos, são realizados múltiplos cultos em coreano, além de celebrações com tradução simultânea para até 16 idiomas, atendendo a uma comunidade diversa de estrangeiros. Serviços específicos também são oferecidos em inglês, espanhol e japonês. A vitalidade da fé protestante sul-coreana, demonstrada por igrejas de grande porte, estende-se para além das fronteiras do país, colocando a nação entre as que mais enviam missionários ao exterior.

Secularização e Fé: Um Contraste Marcante

O cenário sul-coreano é notável por apresentar um paradoxo: uma sociedade com maioria que não adere a qualquer religião formal coexiste com instituições religiosas de grande porte e influência. Este contraste entre uma nação em grande parte secularizada e a vitalidade de igrejas massivas molda o panorama religioso contemporâneo da Coreia do Sul, refletindo complexas dinâmicas sociais e culturais que continuam a evoluir.

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