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Declínio Acelerado: Igrejas Alemãs Perdem 1,13 Milhão de Fiéis em 2025

Culto na Igreja Evangélica da Alemanha (EKD). (Foto: Reprodução / Facebook)

As duas maiores instituições religiosas da Alemanha, a Igreja Católica e a Igreja Evangélica, registraram uma perda combinada de aproximadamente 1,13 milhão de membros no ano de 2025. Os dados, divulgados nesta segunda-feira (16/03) pela Conferência Episcopal Católica Alemã e pela Igreja Evangélica da Alemanha, apontam para uma intensificação da tendência de secularização no país, impulsionada principalmente pelo elevado número de desfiliações e pelo impacto demográfico dos óbitos.

O Cenário da Desafiliação Religiosa

A contínua diminuição da adesão reflete um fenômeno persistente na sociedade alemã, onde as comunidades religiosas enfrentam crescentes desafios para manter seus fiéis. A principal causa citada para este acentuado declínio é o volume expressivo de membros que optam por deixar formalmente as instituições.

Na Igreja Católica, a redução foi de cerca de 550 mil fiéis, consolidando o número total em 19,22 milhões, o que corresponde a 23% da população alemã. Desse total, 307 mil pessoas formalizaram sua saída, um número ligeiramente menor do que o registrado no período anterior, mas ainda substancial.

A Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) observou uma retração ainda mais pronunciada, com uma perda de aproximadamente 580 mil membros, totalizando cerca de 17,4 milhões de fiéis. As desfiliações foram igualmente dominantes nesse grupo, contabilizando cerca de 350 mil indivíduos que renunciaram à sua filiação.

Heiner Wilmer, presidente da Conferência Episcopal Católica, comentou que as estatísticas oferecem um retrato fiel da situação atual da Igreja. Apesar de lamentar o persistente alto número de saídas, ele destacou como pontos positivos um leve incremento na frequência às celebrações e a estabilidade nos números de primeiras comunhões e crismas.

O Peso do Imposto Eclesiástico e a Secularização

Um fator crucial para as desfiliações na Alemanha é o *Kirchensteuer*, um imposto obrigatório incidente sobre os rendimentos de fiéis oficialmente registrados em uma das grandes igrejas. Este valor, que varia entre 8% e 9% do imposto de renda devido, é recolhido diretamente pela receita federal. A renúncia formal à filiação religiosa, geralmente efetivada por meio de carta, é uma estratégia utilizada por muitos para evitar o pagamento dessa taxa adicional, um processo que demonstra a pragmática relação de parte da população com a religião.

Este fenômeno se insere em um contexto mais amplo de secularização observado em grande parte da Europa Ocidental, onde a afiliação religiosa torna-se cada vez mais uma escolha individual e menos uma condição social padrão, refletindo mudanças culturais e sociais profundas.

Redução de Batismos, Casamentos e Estrutura Eclesiástica

A queda na adesão também se reflete nos sacramentos. Em 2025, um total de 214 mil batismos foram realizados pelas duas igrejas. Enquanto a Igreja Protestante manteve a estabilidade com cerca de 105 mil batismos (onde aproximadamente um décimo correspondeu a pessoas com mais de 14 anos), a Igreja Católica registrou um declínio de mais de 7 mil batismos, totalizando 109 mil. Para efeito de comparação, a Igreja Católica realizava mais de 220 mil batismos anualmente há vinte e cinco anos. Os casamentos religiosos católicos também apresentaram redução, embora dados específicos para 2025 não tenham sido detalhados.

A estrutura da Igreja Católica também encolhe. Em 2025, o número de paróquias foi de 8.997, 294 a menos do que no final de 2024. Esta redução força muitas dioceses a fundir ou fechar paróquias, levando ao abandono de templos devido à falta de fiéis e recursos.

A escassez de clero alcançou um novo recorde negativo, com apenas 25 ordenações sacerdotais em 2025. Este número demonstra uma queda contínua, visto que foram 29 em 2024, 35 em 2023 e 154 no ano 2000. A restrição do sacerdócio a homens celibatários é amplamente considerada um dos fatores que contribuem para a baixa atratividade da vida clerical.

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