O Parlamento da Escócia votou, em 17 de março, pela rejeição de um projeto de lei que buscava legalizar a morte assistida para adultos com doenças terminais. A decisão, que reverteu um apoio preliminar à medida, foi recebida com satisfação por líderes da Aliança Evangélica do Reino Unido e outras vozes contrárias à proposta, que destacaram a importância de proteger indivíduos vulneráveis e reafirmar o valor da vida.
Os legisladores escoceses manifestaram-se com 69 votos contra a "Lei de Morte Assistida para Adultos com Doenças Terminais (Escócia)" e 57 a favor. Houve uma abstenção, e dois membros não participaram da votação. Este resultado difere significativamente de uma aprovação inicial, ocorrida em maio de 2023, quando a medida havia avançado com 70 votos a 56.
A legislação proposta, apresentada pelo membro do Parlamento Escocês Liam McArthur, visava permitir que adultos a partir dos 16 anos, com doenças terminais e um prognóstico de vida de seis meses ou menos, pudessem solicitar assistência médica para encerrar suas vidas, desde que fossem considerados capazes de tomar tal decisão. O procedimento exigiria a aprovação de dois médicos, e um profissional de saúde forneceria a substância que o paciente administraria por conta própria.
Reações e Fundamentos da Oposição
A Aliança Evangélica do Reino Unido elogiou a decisão parlamentar, reforçando preocupações sobre a possibilidade de coerção, a necessidade de proteção dos mais frágeis e as implicações sociais amplas de legislações sobre morte assistida. Danny Webster, diretor de advocacia da Aliança, argumentou que o projeto de lei era insuficiente para assegurar que indivíduos vulneráveis não fossem pressionados a optar pela morte assistida e falhava em proteger integralmente os profissionais de saúde com objeção de consciência.
Webster destacou a diversidade da coalizão que se opôs à mudança, afirmando que, enquanto grupos pró-morte assistida investiam em publicidade massiva, a campanha de resistência uniu desde organizações médicas e ativistas por direitos de pessoas com deficiência até especialistas jurídicos e líderes religiosos. Essa frente ampla, segundo ele, foi crucial para persuadir os políticos a rejeitar a proposta.
Peter Lynas, diretor da Aliança Evangélica na Escócia, descreveu a decisão como uma validação da urgência em priorizar o cuidado e a salvaguarda daqueles que se aproximam do fim da vida. Ele criticou a legislação proposta como "insegura e inviável", alertando para o risco de desvalorizar a vida de idosos, pessoas com deficiência ou em estágio terminal. Lynas defendeu que a Escócia deve ser um país onde todos possam viver com dignidade, instando a um investimento renovado em cuidados paliativos e de fim de vida.
Contexto Político e Divisões no Reino Unido
O governo escocês manteve uma postura neutra ao longo de todo o debate, permitindo que os membros do Parlamento votassem de acordo com suas convicções pessoais. Liam McArthur, autor da proposta, expressou-se "devastado" com o resultado, mas reiterou sua crença na inevitabilidade de uma mudança legal futura sobre o tema.
Esta é a terceira vez, desde a criação do Parlamento Escocês em 1999, que propostas para legalizar a morte assistida são rejeitadas. A decisão sublinha as divisões persistentes no Reino Unido sobre o assunto. Em contraste com a Escócia, em Inglaterra e no País de Gales, uma legislação semelhante foi aprovada pela Câmara dos Comuns em dezembro de 2023, embora ainda aguarde deliberação na Câmara dos Lordes, não tendo ainda força de lei.