Um ataque armado devastador tirou a vida de ao menos 27 pessoas na noite do Domingo de Ramos (29) na comunidade de Gari Ya Waye, cidade de Jos, estado de Plateau, Nigéria. O incidente, que ocorreu em um local de encontro popular, levantou sérias preocupações sobre a segurança na nação africana. Indivíduos não identificados abriram fogo indiscriminadamente contra a população, e embora a região seja predominantemente cristã, as autoridades confirmaram que as vítimas não eram exclusivamente dessa fé. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria do massacre.
Segundo relatos da Missão Portas Abertas e da agência de notícias AP, os agressores chegaram de bicicleta por volta das 20h e dispararam aleatoriamente contra os moradores. A ação violenta transformou as ruas da localidade em um cenário de luto e devastação, com vídeos e imagens circulando nas redes sociais evidenciando a brutalidade do atentado e lojas exibindo marcas de sangue das vítimas.
Em resposta ao incidente, o governo do estado de Plateau impôs um toque de recolher de 48 horas como medida de segurança. O governador Caleb Manasseh Muftwang emitiu uma declaração condenando o “ataque bárbaro e não provocado”, assegurando à população que todas as providências seriam tomadas para identificar e responsabilizar os perpetradores do crime.
A Escalada da Violência na Nigéria
O ataque em Gari Ya Waye se insere em um contexto de crescente instabilidade e violência no centro da Nigéria, particularmente nos estados de Plateau e Benue. Essas regiões têm sido palco de conflitos persistentes, muitas vezes exacerbados por disputas por terras entre comunidades agrícolas, predominantemente cristãs, e pastores nômades, majoritariamente muçulmanos. Essa dinâmica de conflito tem gerado perseguições recorrentes e o deslocamento de milhares de pessoas.
Organizações como a Missão Portas Abertas e a International Christian Concern (ICC) monitoram a situação, alertando para a grave perseguição enfrentada por comunidades cristãs. A Nigéria ocupa a 7ª posição na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, um índice que mede o grau de perseguição contra cristãos globalmente, sublinhando a vulnerabilidade dos fiéis em diversas partes do país.
Desafios na Proteção e Reação Comunitária
A despeito da presença de forças de segurança nigerianas e de operações militares esporádicas, a população local manifesta frustração com a continuidade dos ataques. Um morador, em vídeo divulgado pela RootsTV Nigeria, criticou abertamente a cobertura midiática e questionou a inação governamental. "A mídia não está contando a verdade ao mundo. (…) nossa preocupação é: O que o governo vai fazer em relação a isso? Porque não podemos ficar de braços cruzados vendo isso acontecer. Não aguentamos mais, basta! Chega de assassinatos!", desabafou.
O reverendo Ezekiel Dachomo, presidente regional da Igreja de Cristo nas Nações (COCIN) em Barkin Ladi, destacou a percepção de que os esforços de proteção internacional não têm alcançado as áreas mais afetadas. Ele apontou que, embora os Estados Unidos tenham realizado operações militares no norte da Nigéria, o estado de Plateau não foi incluído nas regiões prioritárias, sugerindo que decisões de liderança de segurança nigeriana teriam redirecionado a atenção para outras áreas.
A Missão Portas Abertas reiterou o alerta sobre a intensificação da vulnerabilidade de cristãos a ataques, especialmente durante períodos de celebrações religiosas, como a Semana Santa. A organização fez um apelo global por orações e vigilância, visando a proteção das comunidades que se reúnem para comemorar os fundamentos de sua fé, diante de um cenário de insegurança persistente.