A pastora e cantora gospel Ana Paula Valadão publicamente justificou os recentes ataques aéreos supostamente liderados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, argumentando que a intervenção se enquadra no conceito de uma 'guerra justa' para 'derrubar regimes tirânicos'. A declaração, concedida em entrevista à Folha de S.Paulo, surge em resposta a críticas, como as do sociólogo Valdinei Ferreira, que questionou a comoção da líder religiosa diante dos bombardeios, contrastando-a com a morte de civis.
Valadão fundamentou sua posição na intensa perseguição a cristãos no Irã, uma nação sob uma teocracia islâmica onde a lei religiosa governa o estado e minorias frequentemente enfrentam severas restrições. Ela enfatizou que sua perspectiva não celebra o conflito em si, mas sim a concretização de uma ação diante de um regime que, segundo ela e conforme apontado por Ferreira, é responsável por violações sistemáticas de direitos humanos contra grupos vulneráveis, incluindo minorias religiosas e mulheres.
Críticas e a Teologia da Ação
O sociólogo Valdinei Ferreira, em seu artigo, criticou Valadão ao questionar a coerência teológica de justificar ataques ao Irã enquanto se mantém relações comerciais com a Arábia Saudita. Em sua defesa, a pastora afirmou que igrejas evangélicas brasileiras monitoram anualmente a situação de cristãos perseguidos em diversas nações, citando relatórios da Missão Portas Abertas. Esta organização, conhecida por documentar a perseguição religiosa globalmente, classifica o Irã entre os países com maior repressão a cristãos, onde a conversão ao cristianismo pode levar à pena de morte e pastores de igrejas não reconhecidas são frequentemente detidos.
A líder do Diante do Trono relatou que muitos cristãos iranianos, tanto no país quanto na diáspora, interpretaram os ataques como um sinal de esperança para a queda do regime. O debate ganhou intensidade após seu marido, Gustavo Bessa, compartilhar um vídeo sobre o bombardeio de uma escola no Irã. Embora Valadão tenha lamentado a perda de vidas civis, ela questionou a veracidade das informações sobre as vítimas, mencionando a ausência de confirmação por parte dos EUA e Israel, e o pedido de investigação independente por parte da ONU. A pastora também fez referência a alegações de que grupos como Hamas e Hezbollah, supostamente apoiados por Teerã, utilizam civis como escudos humanos em locais como escolas e hospitais, dificultando a atribuição de responsabilidades em ataques.
Apoio a Israel e Visão Doutrinária
Valadão atribuiu o amplo apoio a Israel por parte de muitas igrejas evangélicas brasileiras a razões teológicas profundas, como a origem judaica de Jesus e dos autores bíblicos. Ela também destacou o significado simbólico da criação do Estado de Israel em 1948, após o Holocausto. A pastora esclareceu que seu apoio a Israel não implica concordância com todas as ações do país, reconhecendo que 'todos os países cometem erros', e ressaltou que não há oposição a árabes ou palestinos. Orar pela paz em Jerusalém é, para ela, um princípio bíblico que abrange 'todos os seus habitantes', e ela manifestou crença na profecia bíblica de Isaías 19.25 sobre a bênção a todo o Oriente Médio.
Concluindo, Ana Paula Valadão afirmou que suas declarações são em prol dos cristãos iranianos, considerando-os parte de sua 'família em Jesus'. Ela descreveu os conflitos como um 'triste lembrete das consequências do pecado no mundo', reforçando a defesa do conceito de 'guerra justa' como uma doutrina cristã. Contudo, mesmo em 'guerras justas' como a que se opõe ao regime iraniano, ela reconheceu o sofrimento e a morte de civis, instando os cristãos a 'se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram', até a redenção plena das nações com o retorno de Jesus.