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Arcebispa Mullally Prioriza Salvaguarda em Discurso Inaugural

 (Photo: Church of England/Geoff Crawford)

A Arcebispa Sarah Mullally, em seu primeiro discurso presidencial ao Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra, realizado em Londres esta semana, fez um veemente apelo por padrões de proteção aprimorados. Em sua declaração inaugural como a primeira mulher a ocupar o prestigiado cargo de Arcebispa de Cantuária, Mullally lamentou as deficiências históricas da instituição em questões de salvaguarda, prometendo uma abordagem rigorosa e focada para assegurar a segurança em todos os âmbitos eclesiásticos.

A líder religiosa enfatizou que a Igreja “falhou tragicamente” no passado em seu dever de proteção. Ela reiterou seu compromisso pessoal em implementar uma gestão séria e direcionada, sublinhando que as práticas de salvaguarda devem ser intrinsecamente centradas nas experiências das vítimas e “aprimoradas por nossas falhas passadas”. Mullally defendeu uma abordagem informada por trauma, que coloque vítimas e sobreviventes no cerne de todas as ações e garanta uma independência processual adequada.

A Arcebispa instou a um compromisso total em ouvir as vítimas e sobreviventes, à implementação de um escrutínio independente das práticas de salvaguarda e à entrega de processos oportunos e robustos, baseados no trauma. “Devemos estar sempre dispostos a que a luz seja lançada sobre nossas ações e decisões”, afirmou, concluindo que a reconstrução da confiança e da credibilidade só é viável através da abertura e da integridade.

Contexto Histórico: As Falhas Precedentes

A urgência da pauta de salvaguarda é evidenciada pelo histórico recente da Igreja. As falhas anteriores culminaram na renúncia do predecessor de Mullally, Justin Welby, após o relatório da Revisão Makin. Este inquérito o responsabilizou parcialmente pelas deficiências da Igreja na resposta aos abusos perpetrados por John Smyth, falecido líder de acampamentos cristãos. A Revisão Makin concluiu que Welby não garantiu a denúncia dos abusos de Smyth à polícia e que poderia ter agido de forma mais decisiva para levar o agressor à justiça.

Escrutínio Pessoal e Controvérsia Recente

A própria Arcebispa Mullally enfrentou escrutínio nas últimas semanas sobre sua gestão de um caso de abuso quando ocupava o cargo de Bispa de Londres. Embora o Arcebispo de Iorque, Stephen Cottrell – que atuou como chefe interino da Igreja da Inglaterra após a renúncia de Welby – tenha decidido no mês passado que nenhuma ação adicional seria tomada em relação à queixa contra ela, a decisão gerou controvérsia. Um sobrevivente, identificado como “Sobrevivente N”, que apresentou a queixa, criticou o resultado à Premier Christian News, apontando um “flagrante conflito de interesses” na decisão de Cottrell, dado que ele mesmo é objeto de uma queixa similar no mesmo assunto. A questão da salvaguarda está agendada para ser discutida em detalhes pelo Sínodo na próxima quarta-feira.

Visão Além da Salvaguarda

Em outros trechos de seu discurso, Dame Sarah Mullally expressou o desejo de abordar seu novo papel com “calma, consistência e compaixão”. Embora reconheça os múltiplos desafios enfrentados pela Igreja da Inglaterra e pela Comunhão Anglicana global, ela manifestou otimismo com relatórios que indicam um retorno de fiéis às igrejas. A Arcebispa citou “sinais visíveis de esperança” em evidências anedóticas e estatísticas, sugerindo que, nos últimos quatro anos, um número crescente de pessoas tem regressado à vida eclesiástica. “Embora devamos ser cautelosos — estes são números iniciais — a tendência é clara”, afirmou. “As pessoas estão retornando à Igreja, encontrando acolhimento, amizade, comunidade, significado e propósito, e nos regozijamos com Deus nestes brotos verdes de esperança”.

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