Dois líderes religiosos cristãos foram vítimas de uma brutal agressão por um grupo de extremistas muçulmanos na região leste de Uganda. O incidente, ocorrido na madrugada de 30 de janeiro, resultou em ferimentos graves para o Pastor John Michael Okoel e o Pastor Auxiliar Abraham Omoding, da Igreja Nova Vida em Pallisa. Ambos receberam alta hospitalar no domingo, 8 de fevereiro, após serem atacados sob a acusação de blasfêmia e proselitismo, revelando tensões religiosas persistentes e gerando apreensão na comunidade local.
O Ataque e os Ferimentos
Segundo relato do Pastor Okoel, o episódio ocorreu por volta das 4h da manhã, enquanto ele e Omoding retornavam de uma vigília de oração. No pântano de Osupa, próximo à rodovia Pallisa-Mbale, a cerca de 200 quilômetros a nordeste da capital Kampala, cinco homens encapuzados, vestidos com trajes islâmicos e armados com paus e facas, interceptaram os pastores. Os agressores os acusaram de 'mentir sobre Alá, pregar que Alá tem um Filho e converter irmãos e irmãs' ao cristianismo.
A agressão foi imediata e violenta. Okoel foi atingido por Ali Kitaali, um dos agressores, sofrendo um corte próximo à boca e lesões no joelho e na mão antes de desmaiar. O Pastor Auxiliar Omoding foi brutalmente espancado, resultando em um braço fraturado, a perda de dois dentes e múltiplos golpes nas costas. Os agressores teriam ameaçado tirar a vida dos religiosos.
O pavor cessou quando um veículo se aproximou com os faróis piscando na direção oposta, o que fez com que os agressores fugissem. Os ocupantes do carro socorreram os pastores feridos, levando-os inicialmente a uma clínica local para primeiros socorros e, posteriormente, para o Hospital Regional de Referência de Mbale, onde receberam tratamento mais complexo. Atualmente, os pastores se recuperam em suas residências e planejam registrar o ataque junto às autoridades policiais assim que estiverem plenamente restabelecidos fisicamente.
Repercussão e Contexto Religioso
O incidente gerou profunda apreensão entre líderes religiosos e a comunidade local. Um pastor vizinho, que preferiu não se identificar, classificou o ocorrido como 'profundamente perturbador' e instou as autoridades a conduzirem uma investigação rigorosa para assegurar a justiça. Moradores de Pallisa manifestaram temor, alertando que a impunidade de tais atos de violência poderia comprometer a coexistência pacífica na região.
Este ataque lança luz sobre as tensões religiosas que, embora a Constituição de Uganda garanta a liberdade de culto e o direito de conversão, persistem em algumas áreas do país, especialmente no leste. Muçulmanos representam uma minoria na população ugandense, estimada em cerca de 12% a 14%, com maiores concentrações justamente nas regiões orientais. Apesar das garantias constitucionais, incidentes de perseguição religiosa e ataques a convertidos não são incomuns em algumas áreas. Até o momento da publicação desta reportagem, a polícia não emitiu nenhuma declaração oficial sobre o caso, e nenhuma prisão foi efetuada.