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Camaçari: Demolição de Templo Evangélico Gera Controvérsia

Templo da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Peniel foi demolido no município de Camaç...

Um templo da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Peniel, localizado no Condomínio Algarobas, em Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (BA), foi demolido na manhã da última segunda-feira (26). A operação, conduzida por forças-tarefa, resultou na destruição da estrutura e provocou forte indignação entre os fiéis e moradores da área, que denunciam a falta de aviso prévio formal e alegam perseguição religiosa.

O pastor Washington, presidente da congregação, relatou que foi alertado por membros da igreja sobre a chegada das equipes para a demolição por volta das 9h, enquanto se deslocava. Ao chegar ao local, uma parte substancial do edifício já havia sido derrubada, surpreendendo a comunidade religiosa.

A ação contou com a presença de representantes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur) de Camaçari, além de efetivos da Polícia Civil e da Polícia Militar. O líder religioso descreveu a ação como arbitrária e expressou frustração por não ter conseguido preservar materiais como telhas e estruturas metálicas, cujo valor de mercado é estimado em milhares de reais.

Segundo o pastor, nenhum documento formal de demolição foi apresentado no momento da intervenção. Ele mencionou que, na semana anterior, a Sedur havia afixado um adesivo de interdição no portão do templo. Ao procurar a secretaria para esclarecimentos, teria sido orientado por um coordenador a manter a tranquilidade, com a garantia de que não haveria ações futuras, o que contraria o ocorrido.

Ponderações Legais e Acusação de Perseguição

Em sua justificativa, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano alegou que a construção não possuía o alvará necessário, documento legal que autoriza a edificação de obras. A ausência de tal permissão é uma infração às normas urbanísticas municipais.

Entretanto, o pastor Washington contestou a alegação da Sedur, argumentando que a situação fundiária do terreno, adquirido por meio de um contrato de compra e venda sem escritura pública, é uma realidade comum em grande parte de Camaçari. Ele enfatizou que a igreja investiu significativamente na construção e estruturação do templo e classificou a demolição como um ato de perseguição religiosa.

O líder religioso reforçou que, além do adesivo de interdição, a igreja não recebeu qualquer notificação oficial de embargo ou ordem de demolição, o que, para ele, configura uma violação do devido processo legal.

Impacto na Comunidade e Projetos Sociais

A congregação da Assembleia de Deus Peniel em Camaçari é composta por cerca de 40 membros fixos e aproximadamente 60 frequentadores regulares. Além das atividades religiosas, o templo desempenhava um papel importante na comunidade, desenvolvendo projetos sociais focados em crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.

O pastor expressou profundo pesar pela ação, lamentando a "falta de sensibilidade do poder público" diante do trabalho da igreja em "restaurar vidas e ajudar pessoas que viviam à margem da sociedade". A demolição deixa os fiéis sem um local para suas celebrações e a comunidade sem um ponto de apoio para iniciativas sociais.

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