Onze membros de uma congregação cristã foram agredidos e detidos por residentes locais no município de Zinacantán, em Chiapas, México, após a realização de um culto ao ar livre. O incidente, que ocorreu em 16 de janeiro de 2026, é resultado de tensões religiosas crescentes na região e culminou com a libertação dos fiéis em 18 de janeiro do mesmo ano.
O grupo de vinte cristãos estava reunido em frente à residência de uma família da igreja quando a via de acesso foi bloqueada por membros da comunidade, que utilizaram um veículo e despejaram cascalho no local da celebração. A agressão é amplamente associada à recusa prévia dos cristãos em participar de rituais religiosos tradicionais da comunidade, prática que tem gerado conflitos em diversas localidades de Chiapas.
A organização internacional Portas Abertas confirmou o episódio como um caso de perseguição religiosa, destacando a violência, a intimidação e as condições coercitivas impostas aos afetados. Este evento sublinha a vulnerabilidade de comunidades cristãs em áreas onde a adesão a novas crenças diverge das práticas ancestrais.
Cenário de Perseguição Religiosa em Chiapas
Chiapas é historicamente um dos estados mexicanos com os mais altos índices de perseguição contra cristãos indígenas. A complexidade social e cultural da região, onde comunidades preservam sistemas de autogoverno baseados em costumes e tradições, frequentemente colide com o direito à liberdade religiosa, garantido pela Constituição mexicana. Convergentes a novas fés, especialmente o protestantismo evangélico, muitas vezes enfrentam ostracismo, sanções econômicas e, em casos extremos, violência ou expulsão de suas terras.
A questão dos Usos e Costumbres
O sistema de “Usos y Costumbres” permite que comunidades indígenas mantenham suas próprias normas sociais e políticas. Embora seja um mecanismo de preservação cultural, ele pode ser instrumentalizado para impor uniformidade religiosa. Indivíduos que se convertem a religiões diferentes da maioria comunitária podem ser privados de serviços básicos (água, energia elétrica), impedidos de frequentar escolas ou de participar da vida cívica, visando forçá-los a renunciar à sua fé.
Norma, uma parceira da Portas Abertas no México (nome alterado por segurança), relatou que o assédio contra estas famílias cristãs é contínuo, manifestando-se em cortes de serviços essenciais e bloqueios de estradas para impedir que crianças acessem a educação. Segundo ela, tais atos visam compelir os fiéis a abandonarem sua crença. Efraín, um dos cristãos perseguidos (nome também alterado), ecoou a preocupação, indicando uma mudança nas prioridades das orações da comunidade: de pedidos por restauração de serviços básicos e direitos, para súplicas por segurança e por uma vida livre de ameaças ou expulsão.