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China Cancela Licenças de Advogados de Líderes Religiosos Presos

Os 18 líderes presos da Igreja Zion. (Foto: Human Riggts Watch).

As autoridades chinesas revogaram as licenças profissionais de advogados que representam líderes da Igreja Zion, uma influente denominação protestante não registrada. A medida, que inclui o conhecido defensor de direitos humanos Zhang Kai, é interpretada como um endurecimento da repressão governamental contra a liberdade religiosa e o sistema legal no país, afetando diretamente a defesa de figuras como o fundador da igreja, Jin Mingri, detido no ano passado.

A ação contra os advogados vem à tona após a Igreja Zion emitir uma carta condenando a perseguição, afirmando que a retirada das licenças é um 'desafio claro à justiça e ao Estado de Direito'. Além da revogação de credenciais, outros profissionais envolvidos no caso enfrentam intimidações, investigações e advertências administrativas, conforme relatado pelo The Wall Street Journal e pela organização China Aid.

Contexto da Perseguição à Igreja Zion

A Igreja Zion, fundada por Jin Mingri em 2007, expandiu-se rapidamente, alcançando cerca de 10 mil fiéis em 40 cidades, tornando-se uma das maiores redes de igrejas domésticas da China. No entanto, sua trajetória é marcada pela perseguição governamental. Em setembro de 2018, a denominação foi proibida por Pequim após resistir à instalação de câmeras de vigilância em sua sede, resultando no fechamento de diversas filiais.

A repressão se intensificou em outubro de 2023, quando cerca de 30 líderes da Igreja Zion foram presos em operações noturnas coordenadas em várias cidades chinesas. Atualmente, 18 desses líderes, incluindo o pastor Jin Mingri, permanecem detidos em um centro em Beihai, no sul do país. Familiares dos detidos expressaram profunda preocupação com o impacto da desqualificação dos advogados na garantia de um julgamento justo e no acesso a informações sobre a condição dos presos.

Reações e Apelos Internacionais

A atitude das autoridades chinesas provocou uma onda de protestos. As famílias dos líderes presos divulgaram uma declaração conjunta criticando a 'retaliação cruel' contra os advogados e a 'privação da última oportunidade para um julgamento justo' de seus entes queridos. Eles enfatizam que a defesa legal é um direito fundamental de todo cidadão.

No cenário internacional, líderes políticos dos Estados Unidos manifestaram condenação. O ex-secretário de Estado Mike Pompeo e o senador Marco Rubio, entre outros, emitiram declarações exigindo a libertação dos líderes da Igreja Zion. Rubio afirmou que a repressão "demonstra como o Partido Comunista Chinês exerce hostilidade contra os cristãos que rejeitam a interferência do Partido em sua fé e optam por adorar em igrejas domésticas não registradas".

O Partido Comunista Chinês (PCC) promove oficialmente o ateísmo e impõe um controle rigoroso sobre todas as manifestações religiosas, exigindo que as comunidades de fé se filiem a organizações sancionadas pelo Estado. Igrejas domésticas, como a Zion, que operam independentemente, são constantemente alvo de perseguição e fechamento. A China ocupa a 17ª posição na Lista Mundial da Perseguição, que monitora a perseguição religiosa globalmente.

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