PUBLICIDADE

Coreia do Norte Impõe rituais de lealdade e cristãos Resistem em Segredo na Coreia

Na Coreia do Norte, a família regente é vista como divindade e exige adoração. (Foto: Portas ...

A Imposição da Devoção Obrigatória

O Culto à Personalidade e a Doutrinação desde a Infância

O regime norte-coreano ergueu um elaborado culto à personalidade que exige a lealdade absoluta de seus cidadãos, desde a mais tenra idade. Crianças são doutrinadas a reverenciar os líderes supremos, sendo ensinadas a se curvar diante de retratos de Kim Il-sung e Kim Jong-il, que são exibidos obrigatoriamente em todas as residências, escolas e locais de trabalho. Essa prática é mais do que um simples gesto de respeito; é um pilar fundamental da ideologia estatal “Juche”, que eleva os líderes a um status quase divino, posicionando-os como figuras centrais da vida e da salvação do povo. A rotina diária é meticulosamente planejada para reforçar essa devoção, com rituais que incluem recitar normas ideológicas, depositar flores em monumentos dedicados aos Kims e participar de cerimônias oficiais do Estado. A recusa em cumprir essas práticas não é meramente vista como insubordinação, mas sim interpretada como um ato de traiçoeira oposição ao Estado, com consequências que podem variar de severas punições a campos de trabalho forçado.

A Natureza Totalitária do Regime

A pervasividade do culto à personalidade na Coreia do Norte sublinha a natureza totalitária do regime. Cada aspecto da vida é controlado e monitorado para garantir a conformidade ideológica. Neste ambiente, a liberdade de pensamento, de expressão e, crucialmente, de religião, é sistematicamente suprimida. A lealdade ao líder e ao Partido dos Trabalhadores da Coreia deve preceder qualquer outra forma de aliança, seja familiar, comunitária ou, especialmente, religiosa. A existência de qualquer fé que postule um poder superior ao do Estado ou que exija uma lealdade primária a uma entidade divina é vista como uma ameaça existencial à estabilidade do regime. As autoridades empregam uma rede extensa de vigilância e informantes, incentivando a delação e criando um clima de desconfiança generalizada, onde mesmo os atos mais simples de dissidência podem ter repercussões devastadoras para o indivíduo e sua família. As punições por crimes religiosos são particularmente severas, frequentemente levando à prisão, tortura ou mesmo à execução.

O Conflito da Fé Cristã e a Resistência Clandestina

A Batalha Espiritual e a Sobrevivência Física

Para os cristãos norte-coreanos, a imposição desses rituais de lealdade gera um conflito interno profundo e incessante. A doutrina bíblica é clara ao afirmar que somente Deus é digno de adoração e que a inclinação diante de ídolos ou figuras humanas é uma violação direta dos mandamentos. Contudo, em um contexto onde a recusa pública em participar das cerimônias estatais significa prisão, tortura ou morte para si e para seus entes queridos, a obediência aparente às exigências do governo comunista torna-se, muitas vezes, a única via para preservar a segurança e a vida. Essa batalha entre a convicção espiritual e a necessidade de sobrevivência física é uma corda bamba diária para esses fiéis. Eles são forçados a uma dissimulação que testa os limites de sua fé, obrigados a exibir publicamente uma devoção a líderes que, em seu íntimo, consideram meros mortais.

Estratégias de Adoração Secreta e a Referência Bíblica

Em meio a essa realidade opressiva, os cristãos norte-coreanos desenvolveram estratégias para manter sua fé em segredo. Durante cada reverência forçada aos retratos dos Kims ou em rituais de lealdade, eles oram silenciosamente, afirmando em seus corações: “Senhor, tu és o meu único Deus”. Esta prática reflete uma interpretação de passagem bíblica, especificamente a história de Naamã, o comandante sírio que servia a um rei estrangeiro e era forçado a acompanhá-lo e se curvar diante de um ídolo (2 Reis 5). O profeta Eliseu, ciente de sua situação, concedeu-lhe permissão para ir “em paz”, indicando que Deus compreendia que a adoração de Naamã não era dirigida ao ídolo. De forma análoga, os cristãos na Coreia do Norte buscam conforto e justificativa nessa narrativa, crendo que Deus conhece a verdadeira intenção de seus corações, mesmo que suas ações externas sejam compelidas pelo medo e pela busca de sobrevivência. Sua adoração genuína é silenciosa, invisível aos olhos do regime, mas ascendendo ao Céu, um testemunho de fé inabalável.

A Persistência da Fé em Meio à Perseguição Sistemática

A vida dos seguidores de Jesus na Coreia do Norte é uma jornada diária de coragem velada e resistência silenciosa. Eles suportam as cerimônias estatais com a cabeça curvada, mas suas mentes e corações permanecem leais a Cristo, desafiando a lógica de um regime que tenta erradicar qualquer forma de crença religiosa. Essa lealdade a Cristo é testada incessantemente, e a resiliência demonstrada por esses fiéis é um testemunho poderoso da força da fé humana. A Coreia do Norte tem mantido por mais de duas décadas a posição de país onde os cristãos são mais perseguidos em nível global. Esta classificação alarmante reflete a brutalidade e a abrangência da repressão religiosa implementada pelas autoridades, que não hesitam em utilizar métodos extremos para manter o controle total sobre a população. A luta pela liberdade religiosa e pelos direitos humanos na Coreia do Norte continua a ser uma das questões mais prementes no cenário internacional, com a comunidade global observando e clamando por um fim à sistemática opressão.

Fonte: https://guiame.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE