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Futuro da Comunhão Anglicana em Xeque, Adverte Rowan Williams

Staff writer

O ex-Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, expressou sérias dúvidas sobre a capacidade de sobrevivência da Comunhão Anglicana, alertando que sua sucessora, Dame Sarah Mullally, enfrenta uma tarefa 'quase impossível'. Em entrevista recente ao blog Clerical Whispers, Williams sublinhou as profundas divisões que persistem na igreja global, especialmente em torno de questões de sexualidade, que há décadas abalam a unidade da federação eclesiástica.

Williams, que liderou a Igreja da Inglaterra entre 2002 e 2012, enfatizou que as expectativas sobre qualquer novo líder são imensas e muitas vezes inatingíveis. Ele comparou a posição a um desafio árduo, distanciando-se da ideia de um papel fácil. O ex-arcebispo confirmou que não comparecerá à instalação de Dame Sarah Mullally, a ser realizada na próxima quarta-feira na Catedral de Cantuária, para evitar ser uma 'sombra' ou 'fantasma de Marley' sobre a nova gestão.

Desafios Persistentes e Divisões Doutrinárias

As questões que confrontam a Arcebispa Mullally, que fará história como a primeira mulher a assumir o posto de maior relevância na Igreja da Inglaterra, são as mesmas que marcaram o mandato de seu antecessor. A principal delas é a postura da igreja em relação à união homoafetiva e à ordenação de clérigos abertamente gays, que continuam a ser focos de intensa discórdia e polarização.

Rowan Williams relembrou, com pesar, a controvérsia envolvendo Jeffrey John em 2003. John, um sacerdote homossexual, foi indicado para Bispo de Reading, mas sua nomeação foi retirada devido à pressão considerável de setores mais conservadores da Comunhão Anglicana global. Este episódio é frequentemente citado como um marco nas tensões internas e na dificuldade de conciliar diferentes visões teológicas dentro da igreja.

Ascensão da Dissidência Conservadora

As fissuras dentro da Comunhão Anglicana tornaram-se ainda mais acentuadas nos últimos anos. Quando Dame Sarah Mullally foi anunciada como a nova Arcebispa de Cantuária, a Fraternidade Global de Anglicanos Confessantes (GAFCON), um influente movimento conservador, declarou publicamente que não reconheceria sua autoridade espiritual. A GAFCON justificou sua posição citando o que consideram 'falsos ensinamentos' sobre sexualidade. Desde então, o movimento elegeu seu próprio conselho de liderança, consolidando um caminho de 'desengajamento principiado' da autoridade central da Igreja da Inglaterra.

A Comunhão Anglicana, uma federação global de igrejas nacionais independentes unidas por laços históricos e doutrinários com a Igreja da Inglaterra, enfrenta um futuro incerto diante de tais desavenças institucionais e teológicas. O próprio Williams, em um tom de resignação, afirmou: 'Não sei se a Comunhão Anglicana sobreviverá'.

Consolo na Fé Pessoal

Apesar das profundas divisões e das décadas de controvérsias que cercam a instituição, Williams revelou que encontra consolo e estabilidade em sua fé diária. 'Continuo a ir à missa na minha igreja paroquial em Cardiff e a aproveitar isso ao máximo. O que me tranquiliza, o que me ancora, é, em última análise, um ato de fé, de convicção teológica, de que se Deus quiser que a Igreja exista, a Igreja existirá', concluiu o ex-líder anglicano, separando sua esperança pessoal da crise institucional.

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