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Dia da Bíblia: o Legado Milenar e a influência Global das Escrituras

Bíblia Sagrada (Foto: Reprodução)

A celebração anual, que remonta ao século XVI na Inglaterra, destaca o papel fundamental do texto sagrado na formação cultural, social e espiritual, desde a invenção da prensa de Gutenberg até a era digital.

O segundo domingo de dezembro marca anualmente o Dia da Bíblia, uma data dedicada a refletir sobre a profunda relevância histórica, cultural e espiritual das Escrituras Sagradas em escala global. A celebração teve suas origens na Inglaterra, em 1549, com o propósito de enfatizar a importância da Palavra de Deus para a fé cristã e a estruturação de valores sociais, ancorada na convicção expressa em Romanos 10:17 de que a fé brota da audição da mensagem divina.

Ao longo dos séculos, essa compreensão impulsionou iniciativas notáveis de tradução e disseminação dos textos bíblicos em diversas línguas e culturas. Um dos marcos mais significativos foi a impressão da primeira Bíblia em latim por Johannes Gutenberg, por volta de 1450, utilizando a prensa tipográfica. Essa inovação tecnológica não apenas revolucionou o acesso aos livros, mas também é amplamente reconhecida como um catalisador crucial para a transição da Idade Média para a Idade Moderna, ao democratizar o conhecimento e facilitar a alfabetização em larga escala.

Mesmo antes da invenção de Gutenberg, já existiam esforços para traduzir a Bíblia para idiomas locais, tornando-a acessível a pessoas comuns. Anteriormente, o acesso era restrito a eruditos que dominavam o latim, o grego ou o hebraico. Esse movimento de popularização foi um precursor vital para o surgimento da Reforma Protestante.

Iniciada em 1517, a Reforma Protestante consolidou a Bíblia como a autoridade máxima da fé cristã, sob o princípio do “Sola Scriptura”. Líderes como Martinho Lutero e João Calvino defenderam veementemente a necessidade de que as Escrituras orientassem tanto a fé quanto a prática dos cristãos. As contribuições desse período incluem a tradução da Bíblia para línguas vernáculas (nativas), o incentivo à leitura individual e a ênfase na doutrina da justificação pela fé. Essas transformações foram cruciais para ampliar o acesso aos textos sagrados e redefinir a relação dos fiéis com a Palavra.

No Brasil, o Dia da Bíblia foi incorporado ao calendário cristão a partir do século XIX, com a chegada de missionários europeus e norte-americanos. A data também reverencia a conclusão da tradução da Bíblia para o português por João Ferreira de Almeida, finalizada em 1753. A consolidação da celebração no país ganhou ímpeto com a fundação da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) em 1948. A SBB desempenhou um papel determinante na popularização da data, mobilizando igrejas, líderes religiosos e autoridades civis em torno da valorização das Escrituras, com destaque para a atuação do pastor Enéas Tognini.

Composta por 66 livros, redigidos por aproximadamente 40 autores ao longo de muitos séculos, a Bíblia se divide em Antigo e Novo Testamento. Ela abrange narrativas que vão desde a criação do mundo até a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, culminando na expansão da igreja primitiva. Seus textos incluem relatos como o Êxodo e os Dez Mandamentos, os reinados de Davi e Salomão, as profecias, os Evangelhos, as epístolas apostólicas e o livro do Apocalipse.

A era digital marcou um novo salto na disseminação da Bíblia. Atualmente, ela está disponível em uma vasta gama de formatos digitais, como aplicativos, websites e áudios, acessíveis em smartphones, tablets e computadores. Plataformas como YouVersion, Glorify e Bíblia Online possibilitam o acesso a bilhões de pessoas em centenas de idiomas, permitindo leituras personalizadas, o compartilhamento de versículos em redes sociais e estudos aprofundados com recursos interativos. Essa democratização digital é vista por muitos como uma concretização moderna do mandamento de Jesus de levar o Evangelho “até os confins da terra” (Atos 1:8).

A influência da Bíblia no Brasil foi recentemente reforçada pela 6ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, divulgada em novembro de 2024. O estudo, coordenado pelo Instituto Pró-Livro e realizado pelo Instituto IPEC, apontou a Bíblia Sagrada como o livro mais marcante para os brasileiros, evidenciando seu profundo impacto cultural e literário. No mesmo período, a Sociedade Bíblica do Brasil celebrou a marca histórica de 200 milhões de exemplares bíblicos impressos em 29 anos, um recorde mundial.

A celebração do Dia da Bíblia transcende o ambiente estritamente religioso, ressaltando a influência multifacetada das Escrituras na formação cultural, ética e educacional de inúmeras sociedades. Frequentemente, o texto é apontado como um dos mais importantes da história da humanidade e um vetor fundamental para a democratização da leitura. Eventos comemorativos frequentemente incluem leituras públicas, atividades educativas e iniciativas que promovem o diálogo interconfessional, fomentando valores como tolerância, inclusão e respeito à diversidade.

O objetivo primordial do Dia da Bíblia é não apenas estimular a leitura dos textos sagrados, mas também incentivar a aplicação prática de seus ensinamentos na vida cotidiana. Para os cristãos de diversas vertentes, a data serve como um convite à introspecção, ao fortalecimento da fé e ao reconhecimento do impacto perene da Palavra de Deus na trajetória humana e na sociedade contemporânea.

Fonte: https://folhagospel.com

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