O Iraque intensificou a segurança em sua fronteira com a Síria após a recente fuga de mais de cem militantes do grupo terrorista Estado Islâmico (EI) de uma unidade prisional anteriormente controlada por forças curdas na cidade síria de al-Shaddadi. Este evento inesperado reacendeu antigos temores de segurança em Bagdá, provocando uma imediata mobilização de reforços e gerando uma troca de acusações entre o exército sírio e as forças curdas sobre a responsabilidade pela evasão.
A instabilidade gerada pelos confrontos no Nordeste da Síria teve repercussões diretas na segurança iraquiana. Paralelamente à fuga, as autoridades iraquianas anunciaram a captura de um líder de alto escalão do EI que, segundo informações, havia cruzado a fronteira recentemente. A população iraquiana respondeu aos acontecimentos com uma série de protestos em cidades como Erbil, Duhok e Sulaymaniyah, onde manifestantes expressaram tanto apoio aos curdos sírios quanto o profundo receio de uma possível retomada de ataques extremistas em solo iraquiano.
Particularmente vulnerável, a comunidade cristã no Norte do Iraque manifestou profunda preocupação. Um morador local, que optou por manter o anonimato por questões de segurança, descreveu a atmosfera atual como de "tensão e temor", enfatizando o medo generalizado de que a ação dos militantes possa levar a um ressurgimento da violência. O apelo pela oração e estabilidade na região reflete a fragilidade da situação.
A Vulnerabilidade da Comunidade Cristã no Iraque
Historicamente uma das comunidades mais antigas da região, os cristãos iraquianos enfrentam um cenário de persistente perseguição. Igrejas, tanto as históricas quanto as evangélicas, são alvos de ameaças de violência, intolerância e discriminação, não apenas de extremistas islâmicos, mas também, em certas instâncias, de órgãos governamentais e líderes não-cristãos. A pressão se intensifica sobre os convertidos do Islã, que sofrem coerção familiar e social, além de correrem risco de violência e perda de direitos civis.
A principal fonte de pressão sobre os cristãos iraquianos provém frequentemente de milícias xiitas apoiadas pelo Irã. Além disso, operações militares turcas e iranianas direcionadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) no Curdistão iraquiano resultaram em danos severos a vilas cristãs, forçando o deslocamento de muitos de seus habitantes.
Impacto Desproporcional em Gênero e Conversão
Mulheres e meninas cristãs, em diversas localidades iraquianas, são compelidas a usar véus como medida de segurança, visto que a ausência do véu pode expô-las a assédio ou até mesmo a apedrejamentos públicos. Há uma notável impunidade em relação a violações cometidas contra cristãos, incluindo sequestros e abusos sexuais. Mulheres convertidas do Islã estão particularmente suscetíveis a restrição domiciliar, agressões físicas, casamentos forçados, assédio sexual e, tragicamente, aos chamados "crimes de honra".
Homens cristãos, em especial aqueles de origem muçulmana, enfrentam discriminação no mercado de trabalho, particularmente no setor público, onde podem ser pressionados a renunciar a seus cargos, encontrar dificuldades para obter emprego ou serem vítimas de exploração. Como chefes de família, a perda de emprego impacta diretamente todo o núcleo familiar. O medo de perseguição leva muitos homens a emigrar, enfraquecendo as comunidades e igrejas locais pela redução de seu potencial de liderança. A situação do Iraque reflete a gravidade do cenário, posicionando o país em 18º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, que cataloga os locais mais desafiadores para os cristãos globalmente.