Onze cristãos evangélicos foram detidos na última sexta-feira, dia 16, por autoridades comunitárias na localidade de Pinar Salinas, em Zinacantán, Chiapas, México. A prisão ocorreu após o grupo se recusar a participar de uma festividade católica tradicional local, culminando em agressões e na exigência inicial de uma multa para a libertação.
O incidente teve início por volta das 11h da manhã, quando membros da comunidade, acompanhados por autoridades locais, invadiram uma residência onde os evangélicos estavam reunidos para um culto. Os indivíduos foram retirados à força, agredidos e levados para a cadeia comunitária. Para a soltura, foi inicialmente imposta uma multa de 100 mil pesos mexicanos, valor equivalente a aproximadamente 30 mil reais.
Antonio Vázquez Méndez, representante dos evangélicos, denunciou o ocorrido à imprensa, ressaltando a persistência da intolerância religiosa na região. Após intensas negociações com autoridades locais e estaduais, incluindo o prefeito de Zinacantán, José Pérez Martínez, um acordo foi alcançado para a libertação dos detidos sem o pagamento da multa imposta, embora a liberdade de culto seja um direito constitucionalmente assegurado no México.
Mesmo após a soltura, os cristãos enfrentaram novas retaliações, com o corte do fornecimento de água e energia elétrica em suas residências. Segundo Vázquez Méndez, este não é um episódio isolado. Ele aponta que a região de Chiapas tem sido palco de conflitos religiosos desde 2010, com evangélicos frequentemente sendo privados de serviços básicos, ameaçados de expulsão e até de morte, simplesmente por mudarem de fé.
Contexto de Intolerância em Chiapas
A recusa das autoridades tradicionais em comentar as acusações de intolerância religiosa reflete uma complexidade histórica na área do Planalto de Chiapas. Esta região é conhecida por suas comunidades indígenas com forte apego a costumes e tradições. Nestes contextos, a adesão a novas denominações religiosas, como o evangelicalismo, pode ser percebida como uma ruptura social e cultural, por vezes gerando tensões e conflitos com as estruturas comunitárias tradicionais.
Vázquez Méndez enfatiza que as multas e prisões impostas não possuem base legal, uma vez que os evangélicos não cometeram crime algum. Ele contesta qualquer tentativa das autoridades de desvincular os incidentes da motivação religiosa, destacando que a invasão durante um culto e a subsequente prisão são provas claras da perseguição à liberdade de crença.
Apelo por Intervenção Governamental
Diante da escalada de tensões e das constantes violações de direitos, o representante dos evangélicos reitera o pedido de intervenção urgente do governo estadual. O objetivo é assegurar o fim das prisões arbitrárias, das multas injustas e garantir o pleno respeito à liberdade religiosa dos cidadãos, conforme estabelecido pela Constituição mexicana. 'Queremos viver em paz, harmonia e respeito. Que não haja mais violência nem expulsões por motivos religiosos', concluiu Vázquez Méndez, em um apelo pela coexistência pacífica e pelo cumprimento da lei.