Um total de 183 cristãos, que haviam sido sequestrados em janeiro no estado de Kaduna, Nigéria, foram recentemente resgatados. A libertação das vítimas, raptadas durante ataques coordenados a três instituições religiosas, foi anunciada pelo governador de Kaduna, Uba Sani, nesta semana, marcando um alívio em meio à crescente onda de violência e sequestros que assola o país.
Embora o governador Uba Sani tenha confirmado a libertação, ele não forneceu pormenores sobre a operação que levou ao resgate dos reféns. Analistas frequentemente sugerem que autoridades nigerianas, em certas circunstâncias, recorrem ao pagamento de resgates para assegurar a soltura de sequestrados, dada a complexidade das negociações com os grupos armados.
O sequestro em massa ocorreu em janeiro, quando homens armados invadiram simultaneamente três igrejas em Kaduna: a Igreja Evangélica Vencedora de Todos (ECWA), a Igreja Querubins e Serafins e uma igreja católica. As investidas violentas resultaram no rapto dos mais de 180 fiéis, que permaneceram em cativeiro por um período até a recente intervenção.
Contexto da Escalada de Violência na Nigéria
Este incidente é o mais recente de uma série de sequestros em larga escala, que se tornaram uma tática recorrente de grupos extremistas e criminosos na Nigéria. O país tem enfrentado uma grave crise de segurança, com comunidades em regiões rurais e urbanas sendo alvo de ataques frequentes, motivados por fatores religiosos, étnicos e econômicos.
Os grupos armados, frequentemente associados a milícias da etnia Fulani – majoritariamente muçulmana – têm intensificado suas atividades nas regiões norte e central do país. Suas ações incluem a perpetração de violência contra comunidades cristãs, além de sequestros organizados visando o recebimento de resgates, o que financia suas operações e aumenta a instabilidade regional.
A gravidade da situação tem atraído a atenção internacional. Em dezembro de 2025, por exemplo, o governo dos Estados Unidos conduziu ataques militares no estado de Sokoto, visando desarticular um grupo ligado ao Estado Islâmico que opera na região. Essas intervenções sublinham a dimensão transnacional do extremismo que afeta a Nigéria.
A Perseguição Religiosa: Um Cenário Crítico
A Nigéria figura de forma alarmante na Lista Mundial da Perseguição 2026, compilada pela Missão Portas Abertas e divulgada em janeiro. O país ocupa a quinta posição global, sendo apontado consistentemente como um dos locais mais perigosos para a prática do cristianismo no mundo.
Os dados da organização revelam a extensão da letalidade: dos 4.849 cristãos mortos mundialmente por causa de sua fé entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, um alarmante total de 3.490 eram nigerianos. Este número representa aproximadamente 72% do total global e um aumento significativo em relação aos 3.100 casos registrados no período anterior, consolidando a Nigéria como o epicentro da violência anticristã.