PUBLICIDADE

Professor volta ao tribunal após prisão por recusar pronome neutro

Equipe G. Gospel

Enoch Burke, professor de alemão, história e política em uma escola da Igreja da Irlanda, compareceu novamente ao tribunal para uma nova análise de seu caso, conduzida pelo juiz Brian Cregan. O professor enfrenta acusações por se recusar a utilizar pronomes e o nome de preferência de um aluno que está em transição de gênero.

A controvérsia teve início quando Burke, alegando convicções religiosas, se recusou a tratar o estudante por “elu” em vez de “ele”. A situação rapidamente escalou, resultando na suspensão do professor. Mesmo suspenso, Burke continuou comparecendo à escola para trabalhar, o que levou à sua prisão. A audiência mais recente foi marcada por tensões, acusações de abuso de autoridade e críticas à condução judicial do processo, que já se arrasta por três anos.

No início da sessão, o juiz Cregan advertiu que qualquer familiar de Burke que se manifestasse seria imediatamente retirado do tribunal pela polícia, gerando forte reação entre os apoiadores do professor, que consideraram a medida excessivamente restritiva.

Durante a audiência, Burke reiterou acusações de que a decisão do juiz Cregan continha informações falsas e afirmações que manchariam sua reputação, como a alegação de que ele seria uma presença “malévola” na escola, que estaria “perseguindo” professores e alunos e que representaria um potencial perigo. Burke classificou as afirmações como infundadas. O juiz rebateu, dizendo que usou o termo “stalking” de forma “figurada e metafórica”, o que provocou ainda mais contestação por parte do professor e de sua família.

Burke também acusou o magistrado de omitir trechos essenciais de depoimentos e de utilizar seletivamente declarações da diretora da escola para embasar sua sentença. O juiz, ao ser confrontado, teria apenas respondido: “Siga em frente”.

A interpretação da liberdade religiosa também gerou polêmica. Familiares presentes na sessão relataram que Cregan afirmou que, se Burke tivesse “praticado sua fé cristã do lado de fora dos portões” da escola, nada disso teria acontecido. Burke sustenta que sua objeção à ordem da escola está fundamentada em sua convicção religiosa e em sua consciência, e que o Estado não poderia obrigá-lo a contrariá-las.

A defesa do professor destacou inconsistências no tratamento do caso nos tribunais superiores. Em março de 2023, o Tribunal de Apelação afirmou que o processo não estava relacionado às crenças de Burke, enquanto em julho de 2025, o mesmo tribunal concluiu que a disciplina aplicada ao professor estava diretamente ligada à sua objeção baseada na fé cristã.

A família informou que Burke deve apresentar um pedido formal para que o caso seja analisado pela Suprema Corte. Outro ponto polêmico foi a afirmação do juiz Cregan de que Burke não receberá liberação temporária para o Natal ou a Páscoa, o que levou familiares a classificarem a medida como “uma sentença de vida”. A família insiste que o conflito começou com a exigência da direção da escola e afirmam que o professor está sendo punido por se recusar a “negar sua fé cristã”.

Fonte: piauinoticiasgospel.com.br

Leia mais

PUBLICIDADE