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Parlamentares Britânicos Pedem Proibição de Redes Sociais para Menores de 16 Anos

Crianças com smartphones (Foto: Canva pro)

Uma coalizão de 61 deputados do Partido Trabalhista no Reino Unido intensificou a pressão sobre o governo para implementar uma proibição do uso de plataformas de mídia social por crianças e adolescentes com menos de 16 anos. A iniciativa, motivada por preocupações crescentes com o bem-estar juvenil, inspira-se em debates e propostas legislativas semelhantes em países como a Austrália.

Os parlamentares, incluindo figuras como Fred Thomas e Sharon Hodgson, encaminharam uma carta ao Primeiro-Ministro Keir Starmer, argumentando que as administrações anteriores falharam em proteger os jovens de plataformas digitais desregulamentadas e potencialmente viciantes. O documento enfatiza o impacto negativo direto no desenvolvimento e na saúde mental das novas gerações, observando um aumento na ansiedade, infelicidade e dificuldade de concentração, além de um comprometimento no desenvolvimento de habilidades sociais essenciais.

A carta também alerta para a urgência de uma resposta mais vigorosa por parte do Reino Unido, destacando que “governos em todo o mundo estão reconhecendo a gravidade desta crise”, e que a Grã-Bretanha corre o risco de ficar aquém na proteção de seus cidadãos mais jovens.

Resposta Governamental e Propostas Alternativas

Questionado sobre a demanda, o Primeiro-Ministro Keir Starmer reconheceu publicamente a importância da preocupação com a segurança online de crianças, afirmando a necessidade de “fazer mais para protegê-las”. Contudo, ele se absteve de apoiar explicitamente uma proibição total do acesso às redes sociais para menores de 16 anos.

Starmer indicou que o governo está explorando uma “série de opções” regulatórias para o tempo de tela de jovens. Entre as medidas consideradas estão a implementação de um “toque de recolher digital” a partir das 22h e a restrição do uso diário de redes sociais a um máximo de duas horas por indivíduo, buscando um equilíbrio entre proteção e liberdade de acesso.

A Perspectiva de Especialistas e a Evolução do Debate

Especialistas na área, no entanto, sugerem que a questão transcende a mera limitação do tempo de uso online. Katharine Hill, diretora da organização Care for the Family e autora, ressalta a importância de os pais monitorarem outros fatores cruciais. Ela aconselha atenção aos “três Cs”: Conduta (como os adolescentes se comportam online), Conteúdo (o que eles estão visualizando) e Contato (com quem estão interagindo).

Hill revelou uma mudança em sua própria posição nos últimos anos, passando a apoiar uma proibição governamental para adolescentes mais jovens. Essa mudança reflete a rápida evolução do ambiente digital desde 2017, período em que publicou seu guia para famílias. Inicialmente relutante à intervenção governamental em detalhes da vida familiar, ela agora defende que “devemos apoiar tudo o que pudermos fazer para proteger nossas crianças”, diante dos desafios contemporâneos impostos pelas plataformas digitais.

Contexto Global e Desafios da Regulação Digital

O debate no Reino Unido insere-se em um cenário global de crescente preocupação com os efeitos das redes sociais na saúde mental e no desenvolvimento de jovens. Vários países, incluindo estados nos Estados Unidos e na União Europeia, estão discutindo e implementando novas legislações, como a exigência de verificação de idade e maiores responsabilidades para as plataformas digitais, a fim de criar ambientes online mais seguros para crianças e adolescentes. O desafio reside em equilibrar a inovação tecnológica com a necessidade imperativa de salvaguardar o bem-estar das gerações futuras.

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