O incidente reacende debates sobre liberdade de expressão, crença religiosa e o equilíbrio entre a manifestação de convicções pessoais e os requisitos acadêmicos em instituições de ensino superior dos EUA.
A Universidade de Oklahoma encontra-se no centro de uma controvérsia após uma estudante, Samantha Fulnecky, ter obtido nota zero em um trabalho acadêmico no qual expressava suas convicções cristãs acerca das normas de gênero. O episódio desencadeou uma investigação interna, resultando no afastamento temporário de um professor e na licença administrativa do assistente de ensino responsável pela avaliação.
O ensaio de Fulnecky, redigido como resposta a um artigo científico sobre gênero e saúde mental, abordava a questão sob uma ótica religiosa. No texto, a aluna argumentou que a promoção social da ideia de “múltiplos gêneros” seria “demoníaca e severamente prejudicial à juventude americana”. O assistente de ensino, William “Mel” Curth, que atribuiu a nota zero, justificou a pontuação baixa afirmando que o trabalho “não respondia às questões do pedido, contradizia-se, utilizava predominantemente ideologia pessoal em detrimento de evidências empíricas em uma disciplina científica e era, em certos momentos, ofensivo”.
Em depoimento à Fox News Digital, Fulnecky interpretou a nota como uma medida punitiva. “Fui solicitada a apresentar minha opinião sobre o binário de gênero e estereótipos de gênero… minhas visões vêm da Bíblia e da minha cosmovisão cristã”, explicou a estudante. “E foi sobre isso que escrevi, sem pensar em nada”.
A administração da universidade agiu prontamente, removendo o professor da sala de aula e colocando Curth em licença administrativa enquanto a revisão do caso prossegue. Autoridades da instituição reiteraram a importância de que o ambiente acadêmico deve orientar os estudantes a “como pensar”, e não a “o que pensar”, assegurando que qualquer aluno pode participar de manifestações ou contramanifestações sem penalidade. Essa postura visa equilibrar a liberdade de expressão individual com as exigências de rigor científico e objetividade que muitas disciplinas demandam.
O incidente tem alimentado um intenso debate sobre a interseção entre liberdade religiosa, liberdade de expressão e a possível existência de vieses ideológicos em salas de aula do ensino superior nos Estados Estados Unidos. Essas discussões são recorrentes no cenário acadêmico americano, onde se busca constantemente a linha divisória entre a defesa de crenças pessoais e a aderência a métodos de análise acadêmicos.
Fulnecky, por sua vez, manifestou que defender suas convicções sempre vale a pena, independentemente do custo. “Sempre vale a pena defender Jesus. Pode ser assustador em um ambiente de sala de aula. Pode ser assustador ir contra todos os seus colegas… mas Jesus sempre vale a pena ser defendido”, declarou, encorajando outros que enfrentam situações semelhantes a “rechaçar esse tipo de comportamento e lutar para que sua universidade mude”. A estudante concluiu que preferiria obter uma nota zero e expressar a verdade a mentir.
Fonte: https://thrivenews.co